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Enterrando o futuro
Algum tempo atrás, escrevi um artigo intitulado "O mundo não vai acabar". Vivia um momento de otimismo ao ver a postura da nova geração frente à preservação ambiental. Hoje, porém, me preocupo ao ver que talvez as futuras gerações, ao assumirem o comando do mundo, não tenham como reverter o estrago que as gerações passadas e a atual estão promovendo no planeta. Uma usina situada no município de Riolândia (SP) foi multada pela prática de crime ambiental, pois havia enterrado da noite para o dia 71 árvores e soterrado uma nascente.
Desde janeiro, 64 fazendas somente na região de São José do Rio Preto foram autuadas pelo mesmo problema. Essa prática é muito conhecida. Imaginem a quantidade de árvores que já foi enterrada, tendo em vista que a maioria dos infratores não é descoberta. Isso tudo acontecendo no período em que o mundo se depara com o pior relatório sobre aquecimento global e alterações do clima promovidas pela ação nefasta do homem sobre a natureza. Próximo, inclusive, da comemoração do Dia da Água.
Com o crescimento da demanda por álcool e açúcar e conseqüente incremento nas exportações, multiplica-se o número de usinas e a área plantada de cana-de-açúcar está crescendo de forma acentuada sendo que nunca se plantou tanta cana no Brasil. Se o negócio é promissor não há que se condenar o plantio de cana, o que se questiona é a ganância de muitos cujo imediatismo irracional destrói reservas, árvores e nascentes, inviabilizando o futuro. Há uma preocupação apenas com o momento, em viver o agora.
Essas pessoas não se dão conta da sua importância e no legado que poderão deixar para seus descendentes. Acham que a obrigação de fazer é sempre dos outros. Esperam que o vizinho faça por eles. Dessa forma um cidadão não planta uma árvore, aliás, corta e enterra aquelas que existem.
Na cidade o indivíduo corta a árvore que tem em frente a sua casa para não ter que varrer as folhas, mas coloca o carro na sombra da árvore do vizinho. O ser humano é um predador por natureza e um reprodutor por excelência. Enche o mundo de gente,mas não se preocupa em preservar o planeta.
O combustível "ecologicamente correto", menos poluidor, no caso o álcool, atrai até o presidente dos Estados Unidos, que nunca se preocupou em diminuir a emissão de poluentes no seu país. Ocorre que até que se chegue ao produto final, lá atrás, nas fases que antecedem à sua produção, acontecem ações devastadoras sobre a flora, fauna e recursos hídricos, comprometendo todo o ecossistema. Apesar de algumas usinas estarem se estruturando para receber cana colhida mecanicamente, teremos ainda queimadas até pelo menos o ano de 2021.
Que Deus nos proteja! A combustão do álcool é menos poluidora, mas as fases que antecedem a sua produção são terríveis para o meio ambiente, pois enterram árvores, nascentes são destruídas, durante as queimadas milhares de animais são mortos e toneladas de poluentes são lançadas na atmosfera.
O termo "sustentável", muito utilizado pelo presidente Lula, tenta definir a coexistência de atividades necessárias para a sociedade, mas que não agridam o meio ambiente. Lula inclusive, disse recentemente em um dos seus "brilhantes" pronunciamentos que o Brasil será a Arábia Saudita. É lógico que ele se referiu ao potencial do País em abastecer o mundo de energia alternativa. Infelizmente, da forma como estão sendo conduzidas as atividades de exploração do solo para a produção do álcool e do açúcar, em pouco tempo o País se igualará à Arábia Saudita no que se refere à extensão de seus desertos e talvez até superá-la. (Publicado em 29/03/2007)
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Artigos na Imprensa
Escrito por Arlindo Araújo às 15h54
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Projetos acabam com depósito de lixo de outras cidades em Araçatuba
O vereador Arlindo Araújo (PPS) elaborou dois projetos de lei na tentativa de acabar com o depósito de lixo industrial de outras cidades no aterro sanitário de Araçatuba. Ele protocolou no final da tarde desta quinta-feira (08/02) um projeto que proíbe a prática e outro que revoga o artigo 159 do Plano Diretor, que autoriza o município a receber lixo da região.
Araújo denunciou o depósito de lixo industrial de outras cidades no muncípio no dia 5 de fevereiro. Na ocasião, os vereadores aprovaram por unanimidade requerimento do vereador ao Executivo questinando porque a Prefeitura está autorizando que outras cidades mandem seus resíduos industriais para Araçatuba.
O artigo 159 do Plano Diretor prevê que “o município de Araçatuba fica autorizado a firmar convênios com os municípios da região visando a viabilizar soluções comuns para a coleta, manejo, destinação final e tratamento de lixo domiciliar, industrial e outros considerados rejeitos especiais”. Araújo teve acesso aos folhetos de publicidade que estão sendo veiculados em cidades da região, em que a Montez Azul Ferraz, empresa responsável pelo aterro sanitário e que explora a coleta de lixo em Araçatuba, oferece seus serviços para outras cidades a partir de R$ 100,00 a tonelada.
Em resposta a um ofício encaminhado pelo vereador, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) confirma que três indústrias estão autorizadas a mandar resíduos industriais para Araçatuba. São elas: Metalmix Indústria e Comércio Ltda, de Birigüi; frigorífico Frigoclass Alimentos S.A., de Promissão; e Ajinomoto Biolatina Ind. e Comércio Ltda, de Valparaíso. Por enquanto, segundo a Cetesb, somente a Metalmix, de Birigüi, está mandando seu lixo para Araçatuba.
Para Arlindo Araújo, o problema não está somente no número de empresas que se utilizam disso hoje, nem na quantidade de lixo que elas enviam para Araçatuba, mas principalmente no fato de o município autorizar essa prática. “Dar conta no nosso próprio lixo já é um desafio, para que receber lixo de outras cidades?”, questiona. “ Para o vereador, Araçatuba vai contramão da história e pode se tornar o lixão da região, enquanto almeja ser estância turística.
Especialista - Segundo o engenheiro João Gianesi Neto, especialista em aterro industrial e impacto ambiental, os resíduos de processos industriais, classificados como classe II, principalmente os lodos das ETEs (estações de tratamento de esgoto), são muito sensíveis e podem, por qualquer desequilíbrio operacional, alterar suas características e concentrações, passando a ser classificados como classe I, ou seja, os altamente perigosos. Isso derrubaria a hipóstese de que a quantidade de resíduos industriais enviada por municípios vizinhos a Araçatuba seria insuficiente para causar impacto negativo ao meio ambiente, pois mesmo as doses pequenas de um elemento ou substância podem causar desequilíbrio de monta no ecossistema, segundo Neto.
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Releases
Escrito por Arlindo Araújo às 16h12
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Perfil
Arlindo Mariano de Araujo Filho é médico veterinário formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com especialização em Nutrição e Reprodução Animal pela Universidade de Torino (Itália) e bacharel em Direito pelo Centro Universitário Toledo, de Araçatuba.
Está em seu quarto mandato como vereador em Araçatuba. Casado, pai de dois filhos, obteve 2.294 votos na última eleição. Na Câmara, Arlindo se destaca por manter uma posição de independência, não pertencendo nem à base oposicionista nem à base governista. É membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e Socias da Câmara.
Votou contra a criação do jeton (verba paga aos vereadores pelo comparecimento em sessões ocorridas durante o recesso) e se recusou a recebê-lo. Também abriu mão da verba de gabinete, destinada ao pagamento de despesas do gabinete, como combustível e material de escritório. Foi favorável à instalação da CEI do Banco Interior; votou contrário à taxa de iluminação pública, nunca faltou a uma sessão e nunca se absteve de votar em qualquer matéria.
Entre seus principais trabalhos estão:
Projeto que extinguiu o voto secreto na Câmara Municipal Projeto que extinguia a abstenção de voto (rejeitado pela Câmara) Projeto para a criação de local para recebimento de embalagens de agrotóxicos, pilhas, baterias de telefone celular (vetado pelo Executivo) Projeto para incentivo e criação de Unidades Armazenadoras de Grãos, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais (vetado pelo Executivo) Projeto que proíbe a instalação de estabelecimentos prisionais no município, como centros de ressocialização, de reinserção social e similares, estadual ou federal, inclusive aqueles destinados para menores sem consulta prévia à população.
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Quem é Arlindo Araujo
Escrito por Arlindo Araújo às 12h54
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A DESVENTURA DO PENSADOR
Meu último artigo, intitulado Chiqueiro e Impunidade, deu pano para manga. Nele abordei a necessidade de alterações na lei penal de forma que assegure a efetiva punição dos criminosos com, inclusive, diminuição da maioridade penal. Recebi as mais variadas manifestações favoráveis e outras contrárias ao meu pensamento.
Ótimo. Essa é a real função, trazer à discussão assuntos polêmicos, pois dessa forma estamos contribuindo para a resolução dos mesmos. A manifestação mais contundente foi de um desventurado membro do PT, que se identifica apenas como pensador, o sr. Ventura Picasso, cujo artigo me obriga a fazer algumas ponderações, pois sai do campo das idéias e faz ataques pessoais.
Para ele, antes de punir os bandidos que arrastaram o menino João Hélio pelas ruas até a morte, é preciso descobrir "como ele ficou preso ao cinto". Barbaridade! Como se isso mudasse alguma coisa. O que importa é o ato impiedoso e não de que maneira ficou enroscado. No decorrer do seu artigo, o sr. Ventura Picasso aproveita para defender outros criminosos, no caso aqueles que habitam o congresso nacional que cometem crimes e não são punidos.
Não reconheço nas palavras do sr. Ventura Picasso dirigidas à minha pessoa credibilidade, autenticidade e isenção para questionar minhas colocações no artigo ?Chiqueiro e Impunidade?, e cujo título lhe faltou criatividade, plagiando o meu. Muito menos minha conduta na Câmara. Não respeito suas idéias porque não são de sua propriedade, o senhor apenas se presta a defender uma "quadrilha de bandidos", terminologia inclusive usada pelo Procurador Geral da Justiça para definir os envolvidos em escândalos recentes. Não compactuo com quem faz dívidas para os outros pagarem e depois se sentam numa postura de pseudo-filósofos de ponta de rua. É muito atrevimento de sua parte se dirigir a minha pessoa, inclusive afirmando quais são as minhas leituras preferidas. Leio o que tenho vontade e escrevo o que penso, não o que me mandam.
Não tenho como livro de cabeceira "O Capital" de Karl Marx. Sou livre, independente, não me submeto a ideologias de fachada que escondem revolucionários de meia tigela ávidos pelo poder e frágeis frente à força da corrupção. A fragilidade de caráter desnudada nos mais variados escândalos (mensalão - valerioduto - dossiês) e protagonizados pelos seus ídolos está estampada nos noticiários, onde o seu venerado líder está perdido e, segundo suas palavras recentes, tentando encontrar o ?ponto G? de um acordo, escancarando de vez a indecência e despudoramento que permeia as ações do seu governo. Governo esse admirado pelo sr. Ventura Picasso. Um pensador não defende nem se alia a causas injustas, aqueles que o fazem são mercenários, que usando de suas habilidades peculiares agridem os considerados desafetos pelo seu mandante. Continuarei a expor minhas idéias e não vou mais discutir com um vassalo do governo Lula. Em se tratando de chiqueiro prefiro me dirigir diretamente ao dono dos porcos. (Publicado em 16/03/2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h22
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CHIQUEIRO E IMPUNIDADE
Não podemos e não devemos deixar cair no esquecimento a barbárie ocorrida com o garoto João Hélio. Que o caso seja a bandeira de luta daqueles que clamam por justiça. Os ânimos estão se arrefecendo, inclusive com a ajuda do carnaval. Se deixarmos, daqui a poucos dias ninguém mais se lembrará do caso, que só fará parte de estatísticas. Os que querem mudanças não devem se calar ou desanimar porque nossos representantes entendem que não se pode agir sob emoção. Devemos continuar a cobrar insistentemente e mostrar que não estamos só emocionados, mas também lúcidos frente ao problema.
O maior líder político do País incontestavelmente e infelizmente é o Presidente Lula. Ele já sinalizou que a segurança não é prioridade do governo federal e não quer mudanças na legislação. Disse inclusive que "quem sabe algum dia queiram punir até um feto". Diante de uma colocação tão infeliz é possível entender que o recado foi dado.
Enquanto isso, assistimos ao longo do tempo a um processo de banalização da vida, onde o índice de crimes bárbaros vem aumentando significativamente e a vida é vista cada vez mais pela sociedade como uma coisa supérflua, descartável. Basta ver o grande número de fetos humanos encontrados nos esgotos e lixões ou a indiferença das pessoas ao ver corpos estendidos pelo centro de grandes cidades e praias movimentadas. Nesta semana mais duas crianças foram mortas por bandidos, sendo que uma no colo do avô.
Tudo isso acontece no País onde a impunidade prospera e a polícia assiste inerte a falsos movimentos sociais invadirem propriedades privadas, com a ajuda de centrais sindicais e financiadas pelo governo federal. Dizem que estão ali para manter a ordem. Porém, a ordem já foi quebrada quando da invasão. A polícia deveria restabelecer a ordem.
A revista internacional "The Economist", uma das mais conceituadas do mundo,chamou o Congresso Nacional de chiqueiro. Todos nós sabemos que espécie de animal habita um chiqueiro. Sabemos também que o local em questão é mal cheiroso e que esses animais são alimentados pelo seu proprietário que os mantém presos e sob seu controle. Eles comem tudo o que ali é jogado e não possuem liberdade.
Portanto, se o Lula não quer mudanças em como ele alimenta os habitantes do Congresso com cargos, mensalão etc, podemos concluir que as mudanças não virão. Seremos enrolados, o chiqueiro, aliás, o Congresso, não é a caixa de ressonância dos anseios do povo. É apenas um amontoado de indivíduos preocupados em engordar suas finanças e ampliar sua influência política. Com uma fome voraz, assim como os conhecidos animais que habitam os chiqueiros, devoram o máximo que podem, sendo que o comportamento e os escândalos ali protagonizados não exalam mau cheiro, mas é enojante. Isso tudo é a nossa realidade que deve ser mudada por uma pressão constante da sociedade sobre os políticos, pois afinal de contas são eles os responsáveis pela promoção das mudanças que a população deseja e necessita.
Hoje o que prevalece e que está fixado na cabeça do jovem criminoso é que com menos de 18 anos o indivíduo pode fazer o que quiser, com a certeza da impunidade, por mais grave que seja o crime praticado. Muitos argumentam que diminuir a maioridade penal não resolve. Pode até não resolver totalmente, mas irá contribuir e muito, inclusive se adotada simultaneamente a outras alterações que assegurem a real e efetiva punição dos criminosos, de forma que cumpram integralmente suas penas. (Publicado em 01/03/2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h20
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PENA DE MORTE
Toda vez que ocorre um crime bárbaro vem à tona a necessidade de alterações na legislação, no sentido de punir com mais rigor os criminosos. Aparecem estudiosos de todas as áreas, falando sobre os caminhos a serem tomados, discutindo e refletindo sobre o assunto. Ficam filosofando, apresentando teses de problemas sociais, ineficiência do estado em não priorizar a educação e assim por diante.
Acontece que as discussões e reflexões se eternizam sem nenhum resultado prático.Vemos que os indivíduos, que possuem o poder e dever de promover as alterações, no caso deputados e senadores, estão mais preocupados com os cargos que terão no governo, ou então com a eleição para a presidência e composição da mesa diretora da Câmara dos Deputados.
Caso eles se dedicassem com o mesmo esmero para resolver os problemas da segurança no país, no que se refere a sua legislação penal, com certeza a situação seria outra. A impunidade que reina no país faz com que os valores morais do cidadão sejam abalados, onde é comum vermos jovens se vestindo como bandidos e usando no seu vocabulário uma terminologia com expressões oriundas do dialeto dos presídios. Esse tipo de coisa está nas musicas, inclusive virou moda se vestir e falar como bandido.
Punições mais severas, alteração na maioridade penal e extinção de benefícios aos condenados devem ser adotadas, mesmo porque a pena de morte já está em vigor no país. Foi instituída pelos bandidos, que volta e meia condenam à morte um cidadão que nada fez, inclusive crianças, cujas vidas são ceifadas na mais tenra idade. As vítimas da pena de morte imposta pelos bandidos têm a condenação e execução com rito sumário. Lembram-se do jornalista Tim Lopes, que foi até esquartejado? E a criança que juntamente com a mãe foi condenada a morrer queimada? Agora mais recentemente o garoto João Hélio foi condenado à morte e executado cruelmente, de uma forma brutal e aterrorizante. Uma atrocidade medieval.
Os bandidos condenam à morte o cidadão e matam também sua família e seus amigos, que a partir do ocorrido não têm condições psicológicas de viver normalmente, viram mortos vivos, sofrendo uma dor que não tem fim. Morrem todos os dias.A legislação é falha, cheia de lacunas que beneficiam os criminosos, além de benefícios descabidos, tais como redução da pena, liberdade temporária, pena especial para menores, que de menores só tem a idade, pois têm físico de atleta, habilidade no uso de armas, são cheios de direitos e cujos rostos nem podem ser divulgados. Até juizes reclamam da lei penal, mas nada podem fazer, pois devem se ater às normas vigentes. Já disse e repito, não interessa o bom comportamento na prisão, mas sim o que foi feito de errado aqui fora.
Então o cidadão fica acuado, tem que se trancar em sua casa e é privado inclusive do direito de conhecer o rosto dos meliantes, que dominam partes das cidades, fazem e executam suas próprias leis. A sociedade brasileira em todos os seus segmentos deve manifestar sua indignação, cobrando das autoridades a correção dessas distorções legais, que só privilegiam os bandidos em detrimento do cidadão. Algo precisa ser feito para revogarmos a pena de morte, que está em vigor no Brasil, pois o mal prevalece e prospera quando os bons se mantêm inertes. (Publicado em 15/02/2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h19
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DESEMPREGO E DESPREPARO
Muito se tem dito que um dos maiores problemas do país é o desemprego. A informação é verdadeira, assim como é verdadeiro, real e incontestável o despreparo de muitos daqueles que postulam uma vaga em qualquer área de trabalho. Desde as tarefas mais simples, até as mais complexas, vemos que os postulantes reclamam da dificuldade de encontrar emprego, mas não se aprimoram para merecê-lo. Para a execução de um trabalho, por mais simples que seja, é necessário um mínimo de preparo. O que vemos por aí, são pessoas com certo grau de instrução, documentados e que na realidade sequer sabem ler ou escrever. Uma recepcionista precisa no mínimo saber escrever e falar razoavelmente.
Uma doméstica que não sabe escrever não tem como anotar um recado para posteriormente transmiti-lo. Estou cansado de ver secretárias e recepcionistas que quando escrevem produzem um emaranhado de rabiscos e garranchos, que nos remetem a inscrições nas cavernas pré-históricas. Infelizmente esse é o perfil da maioria das pessoas desempregadas e são essas alternativas que se apresentam aos empregadores. Portanto, temos uma multidão de desempregados e também despreparados, que ficam reclamando por aí, mas a sua capacitação é uma lástima e que quando contratados por alguma empresa provocam uma sensação de desgosto e arrependimento em quem os contratou. Nesse momento o empregador se vê preso a uma legislação trabalhista complexa, onde temos por exemplo, a figura do seguro desemprego que virou meio de vida para muitos que desejam apenas o registro em carteira e que depois fazem de tudo para serem demitidos, para usufruir desse benefício.
Recentemente em uma prova realizada com alunos recém formados de faculdades de medicina, a maioria não apresentou conhecimentos mínimos necessários para o desempenho da função de médico. No exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a maioria dos Bacharéis em Direito não consegue ser aprovada. O problema em questão, com certeza acontece com outros cursos universitários, bastaria que se fizesse uma checagem. Isso é o reflexo da desordem e abertura indiscriminada de cursos universitários particulares, que são uma verdadeira mina de ouro para os seus proprietários e cujo nível de ensino é baixíssimo facilitando a aprovação e conclusão dos cursos, por alunos visivelmente despreparados. Disso advém a existência de profissionais incompetentes e cujas conseqüências são previsíveis. Em resumo vemos que o despreparo transita nos ocupantes e postulantes aos mais variados postos de trabalho. Estamos diante de um processo crônico, onde a maioria dos desempregados reclama a falta de oportunidade, mas não se faz merecedor das oportunidades existentes, quer seja por não ter qualificação, ou o mínimo de preparo e nesse caso entra como componente principal a preguiça.
Qualquer pessoa ou empresa que necessite de um funcionário, seja ele para uma função simples ou mais complexa, tem pela frente uma enorme dor de cabeça, porque se vê diante de muitas alternativas sem preparo. Não se pode negar que existem muitos desempregados possuidores de boa capacitação, mas são prejudicados pela rigidez das normas trabalhistas. Portanto, o cerne do problema esta na educação e na vontade das pessoas de se prepararem antes de se lançar no mercado de trabalho, além da necessidade premente e incontestável de uma reforma na legislação trabalhista. Do contrário, continuaremos nesse marasmo improdutivo, que contribui substancialmente para a situação em que se encontra o mercado de trabalho. (Publicado em 01.02.2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h17
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O ABUSO DA FÉ
Dois líderes religiosos brasileiros foram presos nos Estados Unidos. Cometeram crimes por lá e têm prisão preventiva decretada também no Brasil, pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica. Tentaram entrar nos Estados Unidos com dólares escondidos inclusive na Bíblia. Como pode uma pessoa que se diz falar em nome de Deus, cometer um ato desse? Usar a Bíblia Sagrada, para esconder dinheiro ilícito. Os ditos religiosos, são possuidores de um patrimônio calculado em quase 20 milhões de reais.
Portanto, quando não são os políticos que roubam o povo e escondem o dinheiro na cueca, são falsos líderes religiosos se enriquecendo aproveitando a fé do povo. Estamos perdidos! Infelizmente é comum vermos lideres de diferentes religiões envolvidos em escândalos de abuso sexual, pedofilia, lavagem de dinheiro e estelionato. Alguns são encontrados com malas cheias de dinheiro arrecadado de doações dos fiéis. É interessante como os fiéis ficam tão bitolados nos seus lideres, que são incapazes de ver a vida de mordomias, requinte e conforto que proporcionam a esses picaretas.
As doações são cobradas na "cara dura", via televisão, rádio ou nas reuniões. Essas doações são estimuladas para serem encaradas, como investimento, pois quanto maior a doação, maior será a facilidade de salvação e com retorno garantido em bens materiais. Segundo eles, o indivíduo se converte pobre e em breve terá propriedades, carros importados e por aí afora. Se analisarmos esse absurdo com a devida atenção, podemos concluir que seria uma "corrupção celestial", onde ocorreria o "suborno ao Divino". No mais fiel estilo, da troca de favores muito comum na política. É o fim dos tempos!
Outro dia vi um líder religioso dizendo que um fiel irmão, ao se encontrar em dificuldades financeiras, recebeu de Deus um depósito bancário considerável para saldar seus débitos. Será que existe TED (transferência eletrônica disponível), via celestial? Se o dono da conta fosse checar a origem do dinheiro, provavelmente encontraria informações do tipo: dinheiro enviado da conta do "Senhor" - Agência do Céu. Segundo o líder religioso o indivíduo saldou suas dívidas e não se preocupou em saber de onde veio o dinheiro. Parece o caso do dossiê que envolveu militantes do PT na eleição para Governador de São Paulo. Ao se falar para uma multidão quer seja pessoalmente, pelo rádio ou pela televisão, é lógico que existirá entre as pessoas, alguns que possuem problemas de saúde, situação financeira ruim, ou então problemas conjugais. Abordando esses temas, o líder religioso, faz com que pessoas fragilizadas psicologicamente pelo que estão vivendo, se identifiquem com a narração e acabem sendo presas fáceis dos mal intencionados, que inclusive dizem falar com Deus com freqüência e são abordados por Ele nos lugares mais inusitados, onde recebem as orientações diretamente do "Senhor". Um fator que contribui para a ocorrência e o crescimento desse tipo de delito é a tendência que boa parte da população possui, de esperar que os problemas sejam resolvidos por forças sobrenaturais e que a solução caia do céu.
Acredito em Deus, e entendo que ele encaminha as pessoas no sentido de lutar e trabalhar para ganhar seu sustento, pagar suas dívidas e ter uma vida digna. Deus não faz depósitos em conta bancária. Ele simplesmente, ensina a pescar. (Publicado em 18.01.2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h14
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MATARAM O SADDAN
Morreu enforcado nesta semana, o ditador iraquiano Saddan Hussein. Foi condenado pelos vários crimes e atrocidades que cometeu ao longo do período em que esteve à frente do poder no Iraque. Foi responsável pela morte de milhares de pessoas e várias guerras. Era um ditador tirano, implacável, impiedoso, que vivia como um rei e possuía vários palácios. Se utilizava da riqueza do país em benefício próprio e de seus filhos, enquanto boa parte da população vivia na miséria.
Qualquer semelhança com outro país, provavelmente, seja mera coincidência. As imagens dos momentos que antecederam a sua execução são chocantes. Vê-lo com a corda no pescoço, com olhar frio, aparentemente calmo, se negando a por o capuz, sabedor de que em instantes estaria morto. Faz parte do Comportamento desses psicopatas, que surgem na história da humanidade e que até o último momento assumem uma postura marcante, para que se perpetuem na história.
Esse tipo de acontecimento traz à discussão o tema polêmico da pena de morte. Lá no seu país, segundo suas leis, recebeu o castigo merecido. Tal procedimento recebeu críticas de várias partes do mundo. Não quero entrar no mérito, pois cada povo tem seus costumes, tradições, leis e o governo que merece.
Um governante pode ser responsável pela morte de muita gente, não só ao decretar guerras ou jogar bombas em grupos oponentes. Caso não distribua e administre corretamente o dinheiro arrecadado pelos impostos pagos pelo povo, será o responsável pelas mortes sem dúvida alguma. Se faltam medicamentos, ou médicos para atender adequadamente. Se os hospitais não estão aparelhados de acordo com as necessidades. Se aparelhos importantes para diagnósticos e tratamentos não são consertados. Se as rodovias federais, estaduais ou municipais ficam com defeitos que ocasionam acidentes, sendo que os reparos não são feitos em tempo ou adequadamente. Se com o dinheiro que daria para comprar cem ambulâncias compram-se cinqüenta. Se o controle do tráfego aéreo é deficitário, conhecido pelas autoridades, que não tomam providências e provocam acidentes. Não vou me alongar elencando exemplos.
Apenas estimulo a reflexão acerca das atitudes daqueles que administram o dinheiro do povo e que muitas vezes se assemelham a ditadores egoístas, inescrupulosos e irresponsáveis. Aqui no Brasil, se fossemos enforcar os responsáveis pelas mortes de milhares de pessoas, provavelmente as fábricas de cordas teriam que dobrar suas produções. Porém, cabe a cada um de nós, analisarmos com a frieza devida, para podermos detectar entre nossos representantes, aqueles que merecem ser enforcados eleitoralmente, para que morram asfixiados pela falta do ar que os mantém vivos, que é o voto.
Identifique-os e os asfixie, privando-os de seu voto. O comportamento deles é muito semelhante. Possuem uma sede enorme pelo poder. Sempre dizem que querem o bem do povo, mas suas atitudes são divergentes. Choram em público com muita facilidade. Beneficiam com o poder alcançado parentes, amigos e se enriquecem. Usam a religião como ponto de apoio e invariavelmente usam o nome de Deus. Como se pode ver, é provável que exista um Saddan bem perto de você. Enforque-o também, de forma a impedí-lo de crescer e galgar mais poder. Caso contrário, a vítima pode ser você, sua família, seus amigos, sua cidade, seu estado, seu país e a própria humanidade. (Publicado em 04.01.2007)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h12
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REVOLTA SIM, SURPRESA NÃO
O Brasil inteiro ficou indignado e revoltado com o aumento de 91% nos salários dos Deputados, aprovado estrategicamente, próximo às festas natalinas e logo após o resultado das eleições, apesar do projeto estar pronto antes do pleito eleitoral. O Supremo Tribunal Federal derrubou o aumento, mas ficou claro que se não houvesse manifestação popular, nada teria ocorrido. O Presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Ricardo Izar, disse em entrevista no dia 03.12.2006, que 30% dos Deputados são honestos. Portanto, conclui-se que os outros 70% são desonestos. Assim, não é de se estranhar o comportamento dos mesmos, porém é triste saber que uma parcela diminuta dos nossos Deputados são honestos. Mais do que isso, é preocupante saber que a maioria das pessoas responsáveis pelo destino do país são desonestas. Confesso que gostaria de escrever sobre algo mais alegre nas proximidades do Natal, mas é difícil frente a esses abusos.
Quando vai se instalar um governo, basta prestar atenção no comportamento dos ocupantes de cargos eletivos e seus discursos, que encontraremos contradições que confirmam a afirmação do Deputado Ricardo Izar. Adversários de palanque migram para o governo descaradamente, dizendo coisas assim: "Entendo que o programa de governo ora apresentado e o projeto político para o país é bom, por isso vamos participar do governo". "Os cargos que vierem, são conseqüência do processo". Que conseqüência que nada. Os cargos são e sempre serão a moeda de troca utilizada para cooptar o apoio de alguns. Cada vez mais, fica escancarada essa prática que ocorre em todos os níveis de governo e que de uns tempos para cá assumem publicamente, o que antes pelo menos tentavam disfarçar. Perderam a vergonha de vez, e no caso dos salários não foi diferente. Basicamente, o que se vê por parte deles é uma dedicação e um comprometimento com uma causa enojante, que no caso, é o beneficio deles mesmos. Entendo a revolta, mas não a surpresa. Não se poderia esperar nada diferente disso. Daqui a quatro anos, dificilmente alguém se lembrará do ocorrido e após as eleições, lá estarão eles de novo. Digo isso, porque mais escândalos do que tivemos nos últimos dois anos e eles aí estão, cada vez mais fortes e reeleitos. É uma busca desesperada pelo poder e pelo dinheiro, parece uma doença que acomete a maioria. Não se condena a busca pelo sucesso e riqueza, mas o que se vê, é a busca utilizando-se de meios condenáveis e não pelo trabalho. Como você se sente, ao saber que os impostos que você paga são administrados e dirigidos por pessoas desonestas? Falta pouco para que os brasileiros comecem a se mobilizar e se manifestar contra os impostos abusivos.
O cidadão que vê os impostos comendo o fruto do seu trabalho, não recebe o retorno devido e ainda por cima ajuda a enriquecer mais ainda aqueles que o enganaram. É um desestimulo à produção e ao trabalho. Aqueles que trabalham e produzem, entram num processo de escravidão, produzindo cada vez mais, para gerar recursos destinados à manutenção do nível de vida dos governantes. Então, ou a sociedade se mobiliza contra a agressão a seu bolso, ou assiste passiva e mansamente o imposto que paga ser mal utilizado pelos seus representantes, que são insaciáveis. (Publicado em 21.12.2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h10
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A CULTURA DO ATRASO
Parlamentares perderam a hora, essa foi a manchete de uma notícia que aparentemente não tem grande importância, ou pelo menos, não é dada a devida importância para esse tipo de acontecimento. Não é novidade, saber que alguma autoridade, ou qualquer pessoa comum não tenham chegado pontualmente a um evento ou, que o mesmo não tenha se iniciado no horário avençado. O que para nós brasileiros, infelizmente, o que é comum e considerado normal, em outros países não é. Em situações onde cidadãos de culturas e educações diferentes, participam de algum evento comum, há o choque de comportamento e costumes, onde muitas vezes os brasileiros passam vergonha.
Não somos atrasados por acaso, vivemos em atraso. Aqui parece que tudo acontece fora de hora. De forma atrasada, via de regra é a atitude dos brasileiros frente a algum problema que poderia ter sido evitado, caso medidas fossem adotadas no momento necessário. Basta ver o exemplo do incrível estado em que se encontra o controle de tráfego aéreo no país.Os parlamentares brasileiros dentre os quais estão Aloísio Mercadante e Heraclito Fortes além de outros, foram a Genebra exclusivamente para participarem de uma reunião com o diretor geral da OMC (Organização Mundial de Comércio), Pascal Lamy, e deve-se salientar que alguns deles, estavam acompanhados por suas esposas. A viagem e as despesas dos brasileiros foram pagas pela União Interparlamentar, entidade financiada por parlamentos de vários países. Chegaram atrasados uma hora e dez minutos, já estava acabando a reunião.
Dias atrás aqui em Araçatuba, vi um amontoado de jovens aglomerados frente a uma casa de eventos, tentando entrar para um baile de formatura, marcado para começar as 23:00h. Já passava de 0:30h quando foi aberta a porta. Vendo aqueles jovens bem trajados como manda a ocasião, naquela situação, me chamou a atenção, pois chovia e eles tentavam se abrigar em alguns guarda-chuvas que apareciam, enquanto uma fila de um quarteirão se escondia nas marquises de prédios vizinhos. Meninas de salto alto, maquiadas, vestidas de longo e garotos de terno, se espremiam junto à parede para se proteger. Pais faziam fila dupla nas proximidades do local, aguardando a abertura, contrariando as leis de transito. Mas o que fazer diante de tal situação? São os desdobramentos do atraso.
Esses acontecimentos são constrangedores e mais do que os transtornos que nos causam, explicitam algo mais grave, que é a cultura do atraso, que no seu bojo concentra um misto de falta de educação, desrespeito e falta de responsabilidade. A questão e seus desdobramentos ultrapassam o limite do bom senso e do respeito, caminhando para a institucionalização da bagunça, da anarquia. Não se trata de nível de escolaridade, pois em ambos os casos são pessoas que tiveram acesso ao ensino. A questão é de fragilidade nos valores éticos, que não foram e não são cultivados ao longo da vida das pessoas e cujas conseqüências são comportamentos, que agridem o convívio social. E o pior, é que para a maioria, chegar ou começar atrasado é normal.
É comum se ouvir o seguinte: "está marcado para tal hora, mas pode chegar mais tarde, porque você sabe como é...". Faz parte dos nossos costumes. Mas que costume feio, que nos envergonha e culmina com vexames internacionais. Dessa forma, ficamos conhecidos como um povo feliz, pacato, acolhedor, desorganizado e que não tem o hábito de cumprir seus horários e cujas conseqüências não são nada confortáveis. Que digam as meninas e os meninos da formatura! (Publicado em 07/12/06)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h08
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A NOSSA REALIDADE
Passado o período eleitoral, tudo volta ao normal, ou seja, tudo aquilo que foi pregado nas campanhas eleitorais, quer seja dos governadores, deputados ou presidente, é esquecido. Aliás, aquilo que vemos nas campanhas políticas, nada mais é do que um engodo, propiciado por um seleto grupo de usurpadores da boa fé das pessoas, ou pelo menos, daqueles que ainda a possui.
Grupos que apoiaram candidaturas e que não são bem vistos pela sociedade, voltam às suas atividades normais. O MST voltou a invadir órgãos públicos, fazendas, empresas agropecuárias e etc., estavam quietos para não desgastar o seu candidato presidente, financiador, estimulador e companheiro. Os Deputados já tinham elaborado um projeto e estavam apenas esperando o momento certo, logo após as eleições, para reajustar seus próprios salários em 100%. Presidente Lula e seu Ministro Guido Mantega, em pronunciamento recente, disseram que não abrem mão do CPMF, portanto, não deixarão de enfiar a mão no bolso de cada cidadão, retirando uma parcela do fruto do seu trabalho e patrimônio, cuja cobrança é flagrantemente inconstitucional.
No Estado de São Paulo, o IPVA, que já é o dobro do cobrado em outros estados, agora, no próximo ano ficará ainda mais caro, sendo que o então candidato a presidente, ex governador Geraldo Alckmin, disse que iria diminuir a carga tributária. Lula disse que quer crescimento de 5% neste ano. Ocorre que isso só será possível, com a diminuição dos gastos do governo, diminuição das taxas de juros e diminuição da carga tributária. Coisa praticamente impossível de acontecer, pois o governo gasta muito mais do que pode. Provavelmente irá aumentar ainda mais os tributos de um povo que trabalha cinco meses do ano, só para pagar impostos. O agronegócio, responsável por 37% do PIB está quebrado, além da insegurança que lhe é imposta, pois é alvo de milícias financiadas pelo governo, para atormentar a vida dos produtores rurais.
Isso tudo acontece nas proximidades do fim do ano, o que facilita o esquecimento por parte da população em relação aos abusos praticados por aqueles que dirigem os rumos do país e do povo. Sempre me pergunto, até quando esse povo ordeiro e cordeiro irá suportar tudo isso? Quando acho que chegou no limite, o povo suporta mais e mais. É triste saber que somos vítimas constantes dos espertalhões que nos governam e impõem uma situação de ausência de perspectivas de um futuro melhor, inclusive no que concerne à qualidade das pessoas que habitam o meio político. É sabido que para aquele que se propõe a enganar alguém, sempre haverá uma multidão disposta a ser enganada e portanto conivente por preguiça, comodismo, conveniência ou alienação.
Somente com a melhoria do nível cultural imposta pela educação ao longo de várias gerações, poderemos vislumbrar uma sociedade um pouco mais justa, com o afastamento da vida pública daqueles que se sentem reis em terra de cegos. Em nossa bandeira temos estampado os dizeres: Ordem e Progresso, mas pelo exposto percebemos que em função da desordem aqui instalada, o almejado progresso fica comprometido. (Publicado em 23.11.2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 14h04
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Insegurança no ar
Precisou ocorrer um acidente, cair um avião e morrer mais de cento e cinqüenta pessoas, para que algumas medidas fossem adotadas para tentar sanar a grave situação do tráfego aéreo no Brasil. Além de expor ao mundo o caótico sistema de controle aéreo que vigora no país. Há três anos foi enviado à presidência da república, um relatório do conselho de aviação civil, alertando sobre o problema, mas nada foi feito.
Com certeza o presidente não sabia de nada, mais uma vez. Tudo ocorreu da mesma forma como foi conduzido o problema das rodovias federais. Então, estamos perdidos, assim na terra como no céu. O sistema opera de forma deficitária, onde cada controlador de vôo tem que cuidar de 30 % a mais de vôos do que a legislação permite. Ou seja, no país onde impera as irregularidades e desrespeito às normas, esse é apenas mais um caso.
Bastou que os controladores de vôo se limitassem ao número legal, chamado operação padrão, com 14 aviões para cada um, para que se instalasse o caos nos aeroportos. Nesse momento, criou-se mais um movimento social, o MSA (movimento dos sem avião), pois um grupo de passageiros revoltados invadiu um avião e foi expulso pela Polícia Federal. Agora virou moda, qualquer coisa, vamos invadir. Não acontece nada mesmo.
Os poucos controladores que existem, oitocentos a menos do que o necessário, contam para o desempenho de suas funções com uma estrutura possuidora de radares com trinta a quarenta anos de uso e rádios comunicadores com defeitos. Portanto, temos um número insuficiente de controladores com instrumental obsoleto. Com esse quadro devemos agradecer a Deus que mais acidentes não tenham ocorrido.
Agora, estão sendo adotadas algumas medidas emergenciais, como a convocação de controladores da reserva, mas como se sabe é apenas para dar uma satisfação à opinião pública. A orientação que é dada aos prejudicados quer sejam parentes dos mortos, ou vitimas dos atrasos, é para que ingressem com ação judicial pleiteando seus direitos, e quem sabe daqui a 40 anos poderão receber. Do exposto, o que se conclui é que milhares de vidas correram risco ao longo de muito tempo devido à inércia dos órgãos competentes (ou incompetentes), que sabendo do problema nada fizeram. Outro aspecto não menos grave é que o fundo aeronáutico, cobrado das companhias aéreas e que perfaz um valor considerável, fica retido pelo governo federal que não o utiliza na melhoria do serviço prestado como, por exemplo, o controle dos vôos.
Esse tipo de coisa compromete a imagem do país, assusta turistas e expõe a nossa fragilidade e desorganização. Além dos riscos a que os passageiros ficam expostos, pois quem deveria por dever de ofício zelar pelas suas vidas, não o faz. A falta de responsabilidade e comprometimento é flagrante e desanimadora. Sabendo disso tudo, quem viaja tranqüilo nesse país, onde até os pilotos dos aviões confessam sentir insegurança nas orientações que são passadas pelos controladores de vôo? Eu que tenho medo de altura e depois de ficar sabendo disso tudo, não monto em um "bicho" desses de jeito nenhum. Prefiro minha égua Babalu. (Publicado em 09/11/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h58
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NOSSOS HERÓIS
A vitória do Grande Prêmio do Brasil de Fóruma 1, pelo piloto brasileiro, Felipe Massa, deu aos brasileiros a sensação de que provavelmente teremos motivos para voltar a nos empolgar, assistir e acompanhar o campeonato mundial. A simplicidade e o brilhantismo de Felipe Massa trouve ao povo novamente a alegria de termos um patriota competindo e divulgando o nosso país.
Tivemo um hiato da nossa história, onde por mais de uma década ficamos órfãos e carente de um piloto que realmente nos orgulhasse e que tivesse a postura de um guerreiro, humilde que goste do Brasil e de seu povo. Até mudou a cor do macacão para verde e amarelo, especialmente para o Grande Prêmio do Brasil e que depois doou para um leilão em prol do Hospital do Câncer. Paralelamente a essa alegria, temos a constatação de uma realidade dura e verdadeira, que nos entristece, mas que segue a regra da existência da humanidade. Reporto-me à perda irreparável de Ayrton Senna, não só pelo grande piloto que encantou o mundo inteiro com sua competência impar, mas também por termos perdido um brasileiro determinado, exemplo de dedicação e amor à pátria. Pessoa cujas obras assistenciais somente vieram à tona e puderam ser conhecidas após sua morte, pois ele preferia fazê-las de forma anônima. Os frutos de suas atividades benemerentes aí estão e seus resultados são visíveis.
Ao longo do tempo, por mais querido que sejam os heróis aos poucos vão sendo esquecidos. Recordo-me que nos dois primeiros anos após a sua morte foram feitas manifestações com centenas de carros e motos, mas que aos poucos foram se esvaziando. Esse comportamento é a própria síntese da existência do ser humano, pois não será possível eternizarmos o sofrimento pela perda de uma pessoa querida. Os heróis ficam na história e periodicamente são lembrados em datas especiais. As pessoas passam suas contribuições e seus exemplos bons ou ruins ficam e perduram no tempo. Pode ser que os nosso ídolo nem chegue a ser o que esperamos, mas a nossa carência por pessoas que se destacam e elevam o nome do nosso país com conduta honrosa é tão grande que ao menor indício de que possa estar nascendo um novo herói nos apegamos com toda a força e entusiasmo. Essa carência existe, porque os personagens que nos trazem alegria, orgulho e exemplo de patriotismo são geralmente pessoas que se destacam no esporte.
Em vários outros países pessoas que são consideradas orgulho de seu povo muitas vezes são líderes políticos de atuação destacada e reconhecidos pelo mundo a fora. Infelizmente a conduta dos nossos líders políticos que conduzem a nação nos envergonha, entristece e causa o desinteresse dos cidadãos pela política e desprezo pelos ocupante de cargos efetivos. Temos por parte do eleitorado um ceticismo inigualável, onde nenhum candidato é capaz de empolgar a população a ponto de que ela participe de forma mais ativa e entusiasmada do processo eleitoral. (Publicado em 26/10/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h57
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CONSTRASTES E INCOERÊNCIAS
O pior cego é aquele que não quer enxergar. O grande mentiroso pode ser aquele que diz que não viu e não sabe de nada e também aquele que diz ter visto o que todo mundo sabe e que ele não viu. O fato é que a Xuxa algum tempo atrás disse que viu duendes ou gnomos, disse ter visto os elementares da natureza. Já o presidente Lula não viu coisas elementares da corrupção no seu governo. No Brasil, o voto é obrigatório e não deveria ser pois se fosse facultativo só votariam aqueles interessados em participar do processo eleitoral. Os que não quiserem votar é porque estão delegando a missão de decidir para os outros. Os políticos fazem isso é por que o eleitor não pode fazê-lo? Basta acompanhar as sessões da Câmara Municipal, Assembléias Legislativas, Cãmara Federal e Senado para ver que eles têm o direito de se abster de votar e justamente eles cuja funçã é votar e em determinados momentos por conveniência não votam. Isso sem contar que ao se candidatarem exaltam a importância do voto, mas depois de eleitos lá estão eles se abstendo em projetos importantìssimos, só para que não saibam suas preferências e deixam de decidir coisas polêmicas. Falta de coragem, medo de perder os votos. Por que obrigar o povo a votar, se eles mesmos não são obrigados? As obrigações só existem para o povo. Isso não pode ficar assim, ou o eleitor adquire o direito de se abster ou acabamos com a abstenção do voto no Poder Legislativo.
O serviço militar também não deveria ser obrigatório. Já é muito difícil arrumar um emprego e para aquele que está em idade de prestar o serviço militar fica praticamente impossível. Hoje um dos fatores mais importantes na dificuldade de geração de empregos é a legislação trabalhista. Assuntos polêmicos e que ninguém quer discutir. Os problemas aí estão e para resolvê-los dependemos dos políticos, porém na última eleição foram reeleitos vários deputados envolvidos em escândalos dos mais variados tipos. Esse comportamento do eleitorado nos parece o comportamento daqueles que preferem fingir que não sabem de nada e por isso mesmo são coniventes. Com isso, os deputados continuarão a fingir que os problemas não existem, nos deixando sob o império da hipocrisia. Enquanto os políticos e autoridades só vêem o que lhes interessa, a população sofre as consequências. A falta de atitude dos nossos representantes é um reflexo do comportamento da população que nunca se manifesta de forma incisiva na contestação de problemas nacionais.
Na eleição se esperava uma demonstração de indignação que não ocorreu. Sempre se espera uma renovação nos quadros da política, mas o que vemos é que muitos dos novos são iguais ou piores do que os que saíram. Acabar com a obrigatoriedade do voto e outras coisas também obrigatórias seria uma evolução na democracia, que engatinha nesse país de constrastes e incoerências, onde a malandragem e a esperteza de políticos desafiam e prevalecem sobre a inteligência, cultura, poder de mobilização e o preparo dos demais. (Publicado em 12/10/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h56
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DOSSIÊS
Todo mundo já deve ter ouvido falar em dossiê. Existem muitos dossiês. Em princípio, um dossiê é um conjunto de dados, documentos e informações acerca de alguma pessoa ou empresa onde estão elencadas características, dados importantes e muitas vezes sigilosos, que no caso de miutos políticos são comprometedores. É comum saber que este ou aquele político tem dossiês de seus adversários. Tem também aqueles que fazem dossiê inclusive dos seus amigos que no momento é mais fácil obter informações, pois esse hoje amigo e aliado poderá no futuro ser inimigo e adversário político.
O recente caso vergonhos envolvendo políticos, assessores e pessoas ligadas diretamente ao presidente da República, por conta de um dossiê, cujo conteúdo incriminaria o ex-ministro da Saúde e hoje candidato a governo do Estado de São Paulo, José Serra, sendo que o valor que envolveu a transação expúria, quase R$ 2 milhões em dinheiro vivo é algo que nos causa repulsa. Para esses meliantes, o valor em questão é “dinheiro de pinga”. Essa cangaba de sem vergonhas fala e negocia quantias astronômicas, que a grande maioria dos brasileiros sequer consgue mensurar a grandeza. Para esses ratos de polítics são valores comuns e que vivem transportando em malas, pois não sabem o quanto é difícil ganhar dinheiro trabalhando. Esse dinheiro saiu de onde?
Com certeza foi do erário, ou seja, dos impostos pagos pelo povo e desviados por uma enormidade de alternativas de corrupção que existe e das quais muitos políticos fazem uso para enriquecer, comprar dossiês e comprar outros políticos. Basta ver o crescimento patrimonial dos deputados federais, que em boa parte deles sofreu um acréscimo em percentual exorbitante e incompatível com atividades lícitas. Os parlamentares vendem a representatividade que lhes foi dada pelo povo através do voto, vendem também sua liberdade e sua independência.
Se pegarmos todos os escândalos envolvendo o PT e pessoas intimamente ligadas ao presidente da República para fazermos um dossiê, será um dos mais nojentos que já se viu, sendo que se o conteúdo é mais do que o suficiente tirar do poder e banir da vida pública o presidente Lula e essa legião de bandidos que ele chama de “aloprados”. Mas o comodismo da nossa sociedade, alinhada à incompetência daqueles que deveriam, agir nos coloca nessa situação, onde apesar de tudo de errado que foi descoberto até agora, nada aconteceu. A explicação para tal fenômeno e que o Congresso Nacional através dos seus compoentes, não possui credibilidade para desencadear um processo de impeachment.
Além de não possuir credibilidade, não possui também liberdade para esse procedimento, pois com certeza Lula e seus aliados “aloprados” possuem dossiês altamente comprometedores de deputados e senadores. A oposição possui telhado de vidro. Desta forma o país fica condenado, muito provavelmente a mais quatro anos de um governo corrupto. A menos de uma semana das eleições, boa parte da população ainda não tem definido em quem votar para deputado federal e estadual, isso é um reflexo incontestável da péssima qualidade dos candidatos que a classe política nos oferece como alternativa e do descrédito a que as instituições democráticas se colocaram nos últimos tempos. (Publicado em 28/09/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h55
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HORÁRIO ELEITORAL
Muita gente acha o horário eleitoral engraçado. Gostam do programa porque aparece todo tipo de palhaço. Realmente seria engraçado se não fosse triste. É triste saber que boa parte dos candidatos despresa o eleitor, subestima a inteligência do público. Eu me sinto ofendido quando assisto horário eleitoral. As aparições patéticas de alguns candidatos que tentam chamar a atenção a todo custo, além de ridículas nos deixam a impressão de que são portadores de alguma patologia mental. E o que dizer dos candidatos que fazem questão de serem chamados de “doutor” e mal conseguem ler um texto de cinco segundo de duração? É um paradoxo. Alguns candidatos médicos aparecem de jaleco branco e estetoscópio no pescoço, mas em que esses acessórios irão auxiliá-los em suas tarefas no Poder Legislativo, caso sejam eleitos?
Outros dão gritinhos de todo tipo quando terminam sua fala. E daí que sabem gritar? Talvez essea tributo fosse mais útil tocando uma boiada e não no Congresso Nacional. Os candidatos do partido do “Enéias” envariavelmente a cada ano eleitoral se apresentam falando no mesmo tom de voz agressivo com os olhos esbugalhados e fixos, sendo que com essa postura se assemelham a personagens piscopatas em filme de terror. Parecem ter sofrido lavagem cerebral, pois se apresentam de forma idêntica.
A cada eleição temos a esperança de que surjam novas lideranças políticas, mas o que vemos é desanimador. Pita, Maluf, Palocci, Valdemar da Costa Neto, Genuíno e muitos outros são candidatos e com grandes chances de se elegerem. Ninguém merece. Quercia disse que é a favor de que os policiais façam “bico”. Os policiais fazem “bico” porque ganham muito mal e para poder sobreviver se submetem a isso. Um candidato a governador deveria falar em melhorar o salário e as condições de trabalho, e não institucionalar o “bico”, principalmente na época de total insegurança em que vivemos. Lula teve a desfaçatez de dizer que divulga no exterior os produtos brasileiros. Chegou a falar que se sente um garoto propaganda. Acontece que preferiu comprar um avião europeu concorrente da Embraer na mesma semana em que era lançado um modelo novo da empresa brasileira. Além disso, ainda mandou fazer o acabamento em couro nos EUA. Isso é que é garoto propaganda! As perspectivas não são boas. Pesquisas apontam para a menor renovação de todos os tempos no Congresso Naciona, apesar de todos os escândalos envolvendo deputados e senadores que são candidatos à eleição.
Essa avaliação não é pessimista, é apenas realista. Apesar de tudo isso, não tenho dúvidas de que daqui a cem anos o Brasil estará bem melhor, mas até chegarmos lá muitas eleições terão se passado e muitos horários políticos engraçados também. Esse tempo poderá ser reduzido, caso o eleitor pare de achar engraçado e mande direto para o “inferno” eleitoral, no caso a derrota nas urnas, aqueles que te acham com cara de tonto, fazendo gracinha durante a campanha ou que tenha um passado desabonador. Outra coisa importante é tomar cuidado com políticos que estejam apoiando esse ou aquele candidato a deputado. É muito provável que estejam recebendo dinheiro para dar o seu apoio. (Publicado em 14/09/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h54
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CORTANTE
Nos dias de hoje o termo “cortante” não é mais utilizado. Mudou para “cerol”, em função da influência dos meios de comunicação que divulgaram a expressão utilizada no Rio de Janeiro. Não concordo com o emprego de “cerol” para identificar a substância que é fixada nas linhas e possibilita cortar as linhas de outras pipas, além do pescoço de muita gente. Entendo que o correto é “cortante” mesmo. Isto porque as vítimas das linhas com cortante são degoladas ou decaptadas, perdendo a vida de forma bárbara e brutal. Antigamente, os meninos soltavam papagaio e maranhão (papagaio sem rabo) feitos com papel de pão. Eram fabricados de forma artesanal, por eles mesmos ou por seus pais. Os que usavam cortante eram considerados “maloqueiros” e participavam de laias, que eram grupos de garotos que andavam sempre em bando procurando briga. Eram temidos pela maioria.
Como a evolução do passar dos anos, divulgou-se a pipa guerreira, que nada mais é do que a evolução do papagaio, que, dependendo da habilidade de quem solta terá muita agilidade conseguindo se deslocar lateralmente e fazer mergulhos no ar. Agora existem os pipeiros, indivíduos especializados na confecção e venda de pipas em grande escala. Além das pipas e linhas alguns deles vendem a matéria-prima para frabricação do cortante – pó de vidro moído industrialmente e cola especial. Quem solta as pipas com cortante, na maioria das vezes não é criança, são os conhecidos “marmanjos”, adolescentes desocupados que fazem guerra de pipas, deixando estendidos pela cidade muitos quilômetros de linhas cortantes, causando inúmeros acidentes, inclusive com mortes. A necessidade de se coibir esse tipo de coisa é indiscutível e o primeiro passo é a fiscalização dos chamados pipeiros, que comercializam o pó de vidro e a cola. Apesar da sobrecarga de trabalho. Essa é mais uma tarefa da polícia, pois se trata de estímulo ao uso de uma arma perigosíssima, que tem matado ou mutilado muitas pessoas, sem que se possa encontrar o proprietário da linha. Os pais devem exercer um controle maior da vida dos filhos, pois os usuários do cortante não nascem de chocadeira. A sociedade deve se mobilizar e cobrar medidas sérias para o controle do uso do cortante.
É inaceitável que pessoas continuem morrendo dessa forma ano após ano, sendo que todo mundo sabe onde é vendido o material para a produção do cortante, mas nada acontece. O uso do cortante é uma ação criminosa que apesar de não intencional, todos sabem do seu risco. Portanto, tal procedimento é crime e tem que ser eliminado. Não bastam campanhas educativas. Tem que haver punição severa e fiscalização rigorosa. As vítimas são quase sempre motoqueiros e em menor quantidade ciclistas. A quantidade de motos é muito grande e principalmente em Araçatuba, que é uma das cidades onde esse veículo é mais utlizado. Essa grande população de motoqueiros não existe elo prazer de andar de moto, mas sim pela necessidade, pois o veículo é econômico e as pessoas não têm dinheiro para andar de carro, sendo que por isso se expõem ao risco no trânsito, tomam chuva, passam frio e, se ainda não bastasse tudo isso, correm o risco de serem degoladas por essa armadilha mortal, proporcionada por um bando de jovens irresponsáveis e pais relapsos. (Publicado em 31/08/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h52
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SAÍDA TEMPORÁRIA E INSEGURANÇA
Em Araçatuba, assaltantes foram mortos durante tiroteio om a polícia. Já falei sobre esse assunto em outra oportunidade, mas volto a fazer algumas considerações nesse momento em que o problema se agrava e as autoridades fazem cara de paisagem. Foi solto para comemoração do Dia dos Pais, um exército de detentos, aproximadamente aproximadamente 13 mil. Como sempre e agora mais do que antes muitos desses detentos cometem crimes e aterrorizam a sociedade, como foi o ocorrido em Araçatuba, onde um dos criminosos estava solto por ter sido beneficiado com a saída temporária e acabou morto. Ocorre que a família vítima do assalto nunca mais terá tranquilidade, pois as seqüelas ficarão para sempre. É tragédia anunciada e sabida, mas que não é impedida. Se todo mundo sabe que isso vai acontecer, por que ainda assim liberam os detentos? A explicaçãi dada e que não convence ninguém: é que não são todos que irão praticar delitos e, portanto, se não for concedido o benefício, muitos “inocentes” estariam pagando pelos outros. E o povo? Como fica nesta história de inocentes e culpados? As autoridades, ao liberarem os presos, sabem que muita coisa ruim que deveria ser evitada irá acontecer, inclusive muitos dos detentos, ao cometer os crimes poderão ser mortos. É papel do Estado e, portanto, das autoridades, a preservação da ordem e bem estar da sociedade, incluindo também a vida do detento. No últimos anos, o sistema carcerário foi mal administrado, sendo que sua péssima gestão interiorizou o crime ao instalar enorme quantidade de presídios em cidades do interior e, principalmente, na nossa região. Para cá foram enviados bandidos perigosos, que com eles trouxeram a insegurança, pois seus comparsas os acompanharam, alojando-se nas cidades e montando esconderijos com armamentos pesados utilizados em tentativas de resgate, além de praticarem toda sorte de crimes para arrecadar dinheiro para a sua manutenção. A população desta região começou a ser vítima de crimes que até então não eram aqui praticados. A instalação de um presídio em determinado município deveria ser precedida de uma consulta à população, através de um plebiscito, pois dessa maneira não ficaria somente na dependência da aprovação exclusiva do chefe do Executivo Municipal, cuja opinião pode não ser referendada pelo povo. O político passa, mas seus atos e principalmente as conseqüências deles se perpetuam no tempo, cujos malefícios podem ser irreversíveis. Um bom exemplo foi a desastrosa gestão secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, que deixou o cargo no auge dos ataques do PCC, que inclusive são frutos de seu péssimo trabalho. Ele foi embora, mas os presídios aí ficaram e suas conseqüências também. Araçatuba ficou com um Centro de Ressocialização em área nobre da cidade, o que desvalorizou os imóveis vizinhos, fruto de anos de trabalho de quem os adquiriu e que de repente viram seu patrimônio se desvalorizar, porque ninguém quer morar ao lado de um presídio, mesmo que disfarçado com nome diferente, pois apesar do nome bonito não deixa de ser, na verdade, uma cadeia. O povo não pode deixar que seus goevernantes o prejudique dessa maneira, sem se manifestar ou pelo menos, ter o direito de ser consultado sobre à instalação de unidades prisionais no município onde moram. (Publicado em 17/08/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h51
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PAREM DE QUEIMAR A CANA
Há poucos dias, as autoridades ambientais proibiram por tempo indeterminado as queimadas nas lavouras de cana de açúcar. O motivo é que a umidade relativa do ar ficou abaixo dos 20%, o que é considerado crítico e muito perigoso para a saúde pública. Tal decisão durou apenas dois dias, pois as queimadas já foram liberadas e com isso teremos novamente cerca de 1,5 a 2 mil queimadas por dia no Estado de São Paulo.
A estiagem prolongada é, inegavelmente, reflexo das agressões consecutivas ao meio ambiente, onde um dos fatores que mais contribuem para o desequilíbrio ambiental são as queimadas da palha da cana de açúcar. Na região de Araçatuba a situação tende a ser pior, pois o incremento no plantio de cana e a instalação de novas usinas nos trazem uma perspectiva de agravamento do problema caso as queimadas continuem.
É comum vermos as donas de casa reclamando da sujeira nos quintais pela queda de restos da palha queimada. Porém, o problema maior, são as partículas menores que respiramos e com isso nossos pulmões ficam iguais aos nossos quintais, com a agravante de não podermos lavá-los.
Sabe-se que as queimadas facilitam a colheita, e que caso não sejam feitas, haverá encarecimento do processo e conseqüentemente o preço final do produto quer seja álcool ou açúcar, será elevado.
É preciso estabelecer critérios para a exploração e priorizarmos a saúde sendo que nesse aspecto necessitamos do bom senso das indústrias e produtores, aliados à responsabilidade das autoridades ambientais.
A mecanização da colheita preserva o meio ambiente, mas causa desemprego. É preciso encontrar uma solução, pois até quando a população irá pagar com a saúde a manutenção desse subemprego que é cortar cana? O despreparo e a falta de instrução geram grande oferta de mão de obra barata, com conseqüente desestímulo para que as indústrias acelerem o processo de mecanização da colheita.
Os municípios da nossa região, vistos do alto, são como uma churrasqueira, onde a área urbana está cercada de cana e fogo por todos os lados, o que torna o calor insuportável, além de ficarmos respirando fumaça.
A quantidade de animais que morrem nos canaviais durante as queimadas é incalculável. Vemos nos noticiários algumas espécies que sobreviveram sendo tratadas pela polícia ambiental, tais como onças, tatus, antas...
A natureza mostra sua força a todo o momento sendo que fica demonstrada de forma flagrante a nossa dependência. Basta observarmos suas manifestações, como por exemplo, na semana em que as queimadas foram proibidas, pois a situação estava insuportável, bastou uma chuva de cinco milímetros, para que o ar ficasse agradável, sem irritação nos olhos e nariz. Ela parece nos chamar a atenção, dizendo discretamente: "parem de me agredir que eu os aliviarei".
Estamos vivendo mais um ciclo da cana-de-açúcar na história do Brasil e que como os outros do passado, não será eterno, porém as seqüelas que ficarão no meio ambiente e na saúde humana serão muito graves. (Publicado em 03/08/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h50
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CERCADO PELOS BANDIDOS
O líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, disse que os deputados não têm moral para gritar com ele, pois também roubam. Infelizmente isso é uma triste verdade. Não há que se contestar, se levarmos em conta a enorme quantidade de escândalos envolvendo deputados e senadores.
Cerca de 25% dos nossos parlamentares, estão sendo investigados pelos mais diversos tipos de crimes. Isso sem contar os 57 deputados envolvidos no esquema "Sanguessugas", o que eleva o percentual significativamente. Os valores do prejuízo causado pelos ataques do PCC estão sendo publicados e comentados pela soma vultuosa. O número de mortes também é alarmante. Ocorre que o prejuízo causado pela ação nefasta dos políticos é infinitamente superior, isso sem contar que o número de mortes em decorrência da má gestão dos recursos é revoltante.A falta de medicamentos, de atendimento médico especializado, de hospitais aparelhados e do pronto atendimento, causados pelo desvio de verbas, já matou e ainda vai matar muito mais do que os bandidos. Não nos esqueçamos das mortes nas estradas de péssima qualidade.
Muitos segmentos da sociedade reclamam pela reforma da lei penal, com a adoção de mais rigor e rapidez na aplicação da punição, mas isso deve ser feito pelo Congresso Nacional, que está cheio de bandidos. Como esperar que eles façam alguma mudança que no futuro poderá prejudicar a eles mesmos?
Nesse ano teremos eleições e vemos vários candidatos se apresentando, sabemos que a intenção de muitos deles é conseguir a imunidade parlamentar para se safar de seus crimes. Não há como acreditar no que a maioria dos políticos fala. Outro dia, o candidato à presidência da república Geraldo Alckmin, disse querer menos impostos, porém durante seu governo no Estado de São Paulo, os municípios perderam várias industrias para cidades de outros estados, onde os impostos são menores e ele nada fez para impedir. O IPVA, cobrado dos proprietários de veículos no Estado é bem maior (quase o dobro) do que o cobrado no Mato Grosso do Sul e Paraná, por exemplo. Além da quantidade de pedágios ser grande, os valores cobrados também são elevados.
Agora, se for presidente irá fazer o que não fez como governador? Cara-de-pau. Por outro lado, o presidente Lula, vetou o reajuste aos aposentados e não era isso que ele pregava antes de ser presidente. Esse é o tratamento dispensado aos aposentados, por um presidente eleito pelo partido dos trabalhadores. A única coisa que ele fez foi arrumar um jeito de oferecer empréstimo, cujo pagamento é descontado direto no salário, o que só beneficiou os bancos e endividou ainda mais os aposentados.
José Serra, está querendo pedir contribuição das usinas de álcool para consertar as estradas, pois segundo ele, os caminhões que transportam a cana são os que mais estragam as estradas. Agora fica a pergunta, e o dinheiro pago no pedágio e IPVA, para que servem? Existe uma mania de inventar um jeito de arrecadar sempre mais. Não se assustem se aparecer em pouco tempo, uma contribuição "provisória", arrecadando fundos para combate a violência.
Talvez você esteja se perguntando aonde quero chegar, pois comecei falando de organização criminosa e agora estou falando de políticos. A questão é que os vejo da mesma maneira, pois a maioria dos políticos não é confiável, mente descaradamente, causa prejuízo ao povo e boa parte deles deveria estar na prisão. (Publicado em 20/07/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h36
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SELEÇÃO E PATRIOTISMO
A cada quatro anos, o povo brasileiro se vê acometido por uma crise de patriotismo, que se traduz por um comportamento diferente do que acontece em períodos que não sejam da Copa do Mundo. Vemos bandeiras em carros e janelas, postes com faixas verde e amarelo e camisetas são vendidas aos montes. A ocasião, mais do que nunca é propícia para sair do trabalho mais cedo, fazer churrasco, se embebedar numa terça-feira na hora do almoço e não voltar mais para trabalhar.
É a paixão de um povo por uma modalidade esportiva, da qual insistem em dizer que são os melhores e por conta disso usam expressões exageradas como "fenômeno" para se referir a um determinado jogador. Ou então "quadrado mágico", como quem sempre espera algo sobrenatural para resolver seus problemas e situações difíceis.
O futebol é a única coisa que consegue unir os brasileiros de forma apaixonada. Pelo seu time brigam, montam torcidas que são verdadeiros exércitos, conseguem se mobilizar para derrubar um técnico e até a dispensa ou contratação de um jogador odiado ou preferido.
É uma capacidade enorme de união e mobilização na luta por uma causa justa, segundo o entendimento deles. O dia em que o povo brasileiro canalizar toda essa energia e entusiasmo para lutar contra as injustiças que lhes são impostas, tais como carga tributária abusiva, corrupção e impunidade, aí sim essas manifestações poderão ser consideradas de patriotismo. Essa história de colocar shortinho apertado verde e amarelo para sair rebolando por aí depois do jogo, não é patriotismo e sim distúrbio hormonal.
A nossa Seleção perdeu porque diante do adversário foi covarde, sem raça, sem determinação, sem união e principalmente sem liderança, não honraram a camisa que estampa as cores do país, que esperava deles no mínimo um espírito de luta e o tão propalado patriotismo.
Perder faz parte do jogo, porém perder daquela maneira é inaceitável. Durante o jogo, o "fenômeno" sequer molhou a camisa, enquanto o "velhinho careca" do outro time transpirava a olhos vistos, ao mesmo tempo em que dava show de bola e comandava sua equipe com espírito guerreiro à merecida vitória.
Essa Seleção que perdeu não possui um mínimo de patriotismo, é um grupo de egoístas mais preocupados com projetos pessoais e recordes individuais do que com o torcedor ou com a imagem do País. Tinha um jogador que não queria fazer faltas, outro desejava ser o maior artilheiro, havia um palhaço usando uma fita com a inicial de seu nome na cabeça, sendo que certo dia pisou na bola e caiu de boca no chão. Outro queria bater recorde de jogos pela Seleção e assim por diante.
E o povo ? Ora, aquele povo que rói unha de nervoso e chora que se dane. Diante da França, a Seleção Brasileira se comportou como os brasileiros se comportam frente aos descalabros que acontecem no País, ficam atônitos, parecem não acreditar no que estão vendo, mas permanecem inertes, sem iniciativa, sem atitude, talvez esperando que aconteça algum "fenômeno", ou algo mágico e faça alguma coisa por eles, que como a seleção, não possuem liderança, e espírito de luta. (Publicado em 06/07/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h34
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A CULPA E DO NICOLAU
A capacidade que uma organização criminosa tem de conseguir simultaneamente deflagrar rebeliões nos presídios e atentados a bases policiais é assustadora. Outra coisa muito preocupante foi a invasão de militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) ao Congresso Nacional, salientando-se inclusive a violência e a agressividade utilizadas. Porém, tais acontecimentos já foram praticamente esquecidos com o advento da Copa do Mundo.
Apesar disso, o que mais preocupa é que a maior organização criminosa do País não é o PCC (Primeiro Comando da Capital), mas sim aquela que se instalou no poder após a última eleição presidencial e que está causando prejuízos enormes à nação.
Essa organização criminosa chegou ao poder e utilizando ensinamentos antigos, montou um esquema de domínio em todas as áreas de atuação do Estado, empregando milhares de militantes nas mais variadas esferas, sendo que os cargos disponíveis não foram suficientes, daí a necessidade de serem criados milhares de outros cargos.
Com a nítida intenção de se perpetuar no poder, colocou em prática outros conhecimentos muito utilizados pelos políticos, tais como: O afago aos poderosos, para tê-los como aliados. Com isso é possível entender porque os banqueiros são os que mais ganham no País. Basta ver seus lucros; Se estribar no povo e mostrar aos cidadãos que ele - o detentor do poder - e o Estado, para o povo, são indispensáveis; Observar a distribuição de cestas básicas e dinheiro a milhares de famílias, utilizando-se para tal dos recursos arrecadados das classes produtoras, que são os que realmente mantém o País. Existe uma multidão de oportunistas, alguns miseráveis e muitos desocupados pertencentes a "movimentos sociais", que vivem às custas do governo, e são usados como massa de manobra; Espoliar alguns, retirando-lhes seus pertences para amedrontar os demais, que ficarão agradecidos por serem poupados e incapazes ou receosos de se rebelarem; Utilizar-se da maldade, sempre que for necessário e em dose rápida. Fazer o bem aos poucos, gradualmente, para que não seja esquecido, ou que não caia no entendimento de que tal ato seja mera obrigação de ofício; Ser dissimulado, não cumprir promessas, pois aquele que sabe enganar encontra sempre um outro que se deixa enganar; Não honrar a sua palavra, pois a maioria dos homens não o faz.
Só existem dois modos para o combate: o primeiro, utilizando-se das leis, que é próprio do homem. O segundo, o da força, que é próprio dos animais.Aqui ficou bem claro, qual foi o método escolhido para a invasão do Congresso.
Todos esses "ensinamentos" são da autoria de Nicolau Maquiavel e são seguidos pela maioria dos políticos. Segundo Maquiavel, é indispensável passar também a impressão de possuir grande religiosidade, mesmo que não a tenha. Portanto, não é a toa que temos grande quantidade de políticos ligados a religiões, sendo que não economizam na divulgação dessa "qualidade". A esperança é que nem todos os políticos são bons alunos, sempre existindo aqueles que só lêem resumos e outros que nem isso fazem. Outro aspecto, é que tais ensinamentos são inescrupulosos e existem aqueles poucos que não concordam com sua utilização. Hoje em dia, ouve-se falar com freqüência, sobre a existência de freios inibitórios, que em tese impedem que um indivíduo pratique atos condenáveis. Ocorre que os políticos, ao praticarem os ensinamentos maquiavélicos, se mostram totalmente sem freios. Portanto, caro leitor, cuidado, você pode estar sendo - ou com certeza já foi vítima - dos ensinamentos do Nicolau, emitidos no século XV, bem próximo ao descobrimento do Brasil. (Publicado em 22/06/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h34
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O MUNDO NÃO VAI ACABAR
No mês de junho, comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Na última década muito se discutiu sobre destruição da camada de ozônio, desmatamento, efeito estufa, descongelamento de geleiras e aquecimento global. Outro dia, um amigo me procurou indignado, pois segundo ele, uma vizinha que é professora, estava querendo cortar uma árvore, somente porque suas folhas sujam a calçada, e que dá muito trabalho para limpar. Porém, ele já havia presenciado várias brigas dela com outros vizinhos, ao disputar a sombra para o carro. Ao longo da conversa percebi que o fato de sua vizinha ser professora aumentava significativamente a revolta de todos.
Estamos em uma fase de transição onde alguns indivíduos da geração passada trazem resquícios comportamentais, onde na época, a natureza era agredida das mais variadas formas e tais agressões eram encaradas com naturalidade pelas pessoas. Industrias poluíam o ar e os rios sem qualquer controle, criança que não tinha estilingue para caçar passarinhos era anormal, uso de gaiolas com alçapão era estimulado e comercializado. Qualquer menino sabia fazer arapuca (artefato de bambu entrelaçado utilizado para capturar aves). Hoje em dia, experimente falar a uma criança sobre matar um passarinho, ou cortar uma árvore e veja a sua reação. Todos eles encaram tais atitudes com repulsa, pois estão recebendo uma formação, cujos valores nada têm em comum com aquela professora citada no início.
Estamos evoluindo e a consciência ecológica é muito grande por parte dessa nova geração, que sem dúvida alguma, será a responsável pela salvação do planeta. O próprio tempo irá se incumbir de tirar de circulação aqueles indivíduos, que na sua mentalidade ainda cultuam a destruição da natureza.
No mundo todo, existem organizações e entidades envolvidas em atividades que têm a intenção de preservar o meio ambiente. Várias iniciativas de legisladores, nas mais variadas esferas, visam normatizar a utilização dos recursos naturais de forma a proteger o meio ambiente, inclusive, incentivando a preservação de mananciais e o plantio de árvores. Em Araçatuba, temos grupos com esse espírito e ainda indivíduos que sozinhos e isolados fazem seu trabalho, com o sentido de deixar um mundo melhor para as novas gerações. Na pessoa do Sr. Jair Dornellas, quero homenagear a todos que têm essa visão de futuro e comprometimento com a qualidade de vida do próximo. Cito o Sr. Jair, pois é uma pessoa que 15 anos atrás, com suas economias, comprou uma chácara localizada a 5 minutos do centro de Araçatuba e ali plantou árvores como mogno, jequitibá, cedro, pau-brasil, ipê, palmeiras e outras. Cuida dessa área com a única intenção de deixar para a humanidade um bosque de espécies nativas.
Não é uma pessoa rica, e mesmo assim deixará esse legado para as novas gerações. Além disso, produziu mudas de várias espécies e pessoalmente plantou e cuidou em vários logradouros do município, como por exemplo, a Av. do Fico/Via José Ferreira Batista, que conta com canteiros repletos de palmeiras e outras árvores por ele plantadas, tudo isso anonimamente, sem fazer alarde, o que é uma característica das grandes pessoas.
É por existir pessoas como ele que tenho a certeza de que o mundo não vai acabar. Em um futuro próximo, não haverá mais lugar para pessoas como a professora vizinha do meu amigo, pois mesmo que existam, sentirão vergonha de externar seus sentimentos. (Publicado em 08/06/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h32
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O PRESIDENTE, A PEDRA E A ANTA
O que pode existir em comum entre o presidente Lula, uma pedra e uma anta baleada? A resposta a essa questão é que não existe nada em comum, porém se fizermos uma análise de como procederiam os três elementos em questão, frente às mesmas situações, iríamos perceber que as atitudes, o comportamento, as decisões e suas conseqüências, seriam melhores no caso da anta e do paralelepípedo, apesar de suas deficiências naturais.
Digo isso porque, no episódio Brasil, Bolívia e Petrobrás, o comportamento do Presidente da República foi ridículo, de uma incompetência e despreparo vergonhoso. Chegou ao ponto de dizer que caso o preço do gás boliviano venha a subir, quem irá pagar a conta será a Petrobrás, e não o povo.
Ora, a Petrobrás é uma estatal e portanto faz parte do patrimônio nacional e por conseguinte é do povo brasileiro, povo esse que deveria ser bem representado e ter seus interesses defendidos pelo Chefe de Estado. Frente a esse episódio tenho certeza de que a anta baleada, apesar de ferida, se sairia melhor, pois defenderia os seus com unhas e dentes o que certamente intimidaria o índio boliviano, que saberia respeitá-la. Já o paralelepípedo, também se sairia melhor, pois apesar de não se mexer, pelo menos não falaria bobagens, ficaria inerte na cadeira e não nos daria gastos com viagens, compra de avião, vinhos importados etc, além de passar a imagem de robustez.
Lula, em recente pronunciamento, revelou que não se considera um ser humano comum, ou seja, "está se achando", mas na realidade está perdido e enquanto tenta se reencontrar nas metáforas, quem realmente perde é o Brasil.
Por falar em seres humanos, me recordo do governador "embalsamado" de São Paulo Cláudio Lembo, dizendo no auge dos ataques do PCC que a situação estava sob controle, ao mesmo tempo em que policiais eram mortos e vários ônibus incendiados. Dois dias depois disse que os presidiários são seres humanos e precisam de diversão, justificando os aparelhos de TV que foram dados aos detentos.
Esses mesmos seres humanos que utilizaram a liberdade temporária do Dia das Mães para matar e aterrorizar milhões de outros seres humanos, cujos governantes nos dão a entender que somente os humanos presos é que possuem direitos humanos e inclusive fazem acordos com eles. O secretário Nagashi Furukawa, nega o acordo, apesar de muitas evidencias, dizendo que os aparelhos de televisão não foram adquiridos com dinheiro público. E daí? Os telefones celulares, as armas dos presos e até granadas também não foram. O problema é que estavam lá e quem faz acordo com bandido é bandido igual, ou é incompetente, corrupto ou medroso.
Nossos governantes nos descontentam porque não têm firmeza de decisão, são fracos, não são líderes verdadeiros, são acidentes eleitorais. Um governante deve transmitir segurança ao povo, tomar decisões que venham de encontro às necessidades sem titubear. Somente assim será respeitado, quer seja por governantes de outros países, ou por bandidos domésticos.
Historicamente o povo brasileiro já votou em ladrões, bandido da moto-serra, traficantes, bicheiros, hipopótamo, líder sindical semi-analfabeto etc. Corro o risco de ao exaltar as qualidades da anta baleada e do paralelepípedo, despertar o interesse por eles, mas se isso ocorrer a culpa não é minha e sim da qualidade dos candidatos que a classe política nos apresentar como opção. (Publicado em 25/05/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h30
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A CANA-DE-AÇÚCAR É A SOLUÇÃO?
O Estado de São Paulo possui 60% da área plantada em cana-de-açúcar do País e a região de Araçatuba é a bola da vez em investimentos do setor. Está prevista a instalação de aproximadamente 40 novas usinas na região nos próximos seis anos. Juntamente com essas informações, podemos observar alguns políticos se insinuando como responsáveis pelo aquecimento do setor na região, assim como pela instalação de empresas ligadas ao ramo no que se refere ao suporte e manutenção da atividade.
Nesse aspecto é oportuno salientar que a vinda das usinas, assim como as empresas de suporte, se dará independentemente de vontade ou estímulo político, pois esta é a única região do Estado que ainda possui áreas em quantidade para receber o cultivo da cana. Portanto, tudo está acontecendo seguindo a ordem natural e possível, pois nenhuma usina aqui se instalaria se não existissem áreas para plantio e tampouco empresas ligadas ao ramo para cá viriam sem a perspectiva da vinda das usinas.
Feitos esses necessários esclarecimentos, analisemos agora outros aspectos também importantes. Hoje, a cana-de-açúcar é a atividade que melhor remunera o produtor rural, pois a pecuária atravessa uma das piores crises da sua história. A situação do plantio de grãos como milho, soja e sorgo pode ser resumida no recente pronunciamento do governador do Estado de Mato Grosso, que chegou a falar em atear fogo às suas plantações, pois assim o prejuízo seria menor do que se gastasse para colher.
Dessa forma, os produtores endividados e sem qualquer perspectiva de melhora estão migrando para o plantio de cana, já que o governo só se lembra do setor quando anuncia (e fala de boca cheia) os resultados das safras e da balança comercial. Porém, no ano que vem, já se espera uma queda de 30% na safra de grãos, pela diminuição da área de plantio.
Ocorre que essa migração está se dando sob a forma de arrendamento das terras, pois, descapitalizados, os produtores não têm condições de bancar os custos de plantio, manutenção e colheita, o que seria mais rentável.
Diante desse panorama, temos o produtor que agora será um assalariado da usina, que pagará um aluguel pelas suas terras, deixando-o como refém da mesma. Ao término do contrato, as terras arrendadas praticamente só servirão para aquela atividade, porque toda estrutura que ali existia anteriormente foi desmontada e as alternativas de negociação com outras usinas não são muitas, visto que a distância da área plantada até a usina influi bastante.
Com o passar do tempo, teremos a aquisição de boa parte das terras arrendadas pelas usinas, que formarão enormes latifúndios de monocultura, cujas conseqüências são previsíveis e desastrosas. Qualquer problema que o setor venha a enfrentar, haverá um efeito dominó em toda a cadeia produtiva, com desemprego em grande escala pelo fechamento de empresas ligadas e dependentes do setor, o comércio será afetado e teremos problemas sociais sem precedentes.
Quero lembrar ainda um conselho de todo economista, que sempre alerta para que não coloquemos todos os ovos em uma só cesta. Já que estamos falando em fazendas arrendadas para plantio de cana, quem já viu uma fazenda antes e depois tem vontade de chorar, pois a visão é triste. Bosques de árvores nativas, centenárias e hoje raras, simplesmente desaparecem da noite para o dia, até parece que foram enterradas.
Nada tenho contra as usinas e a cana, apenas gostaria que prevalecesse a diversificação das atividades no agronegócio, que os produtores não vissem a cana como a salvação, mas como uma alternativa a ser analisada com critério, vendo não só o lado financeiro imediato, como também as conseqüências no futuro, sem se esquecer do meio ambiente, cujas agressões têm nos dado respostas bastante significativas. (Publicado em 27/04/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h27
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O VOTO SECRETO
Vimos, ao longo dos últimos meses, vários deputados envolvidos no escândalo do mensalão serem absolvidos pelo plenário da Câmara, apesar da opinião pública e de toda a imprensa se manifestarem a favor da cassação. Prevaleceu o corporativismo e os acordos que foram viabilizados e facilitados pelo expediente do voto secreto.
O voto secreto portanto, se mostra como um aliado para que o detentor de um cargo eletivo possa votar contrariamente ao interesse da maioria, sem que isso seja revelado.
A falta de transparência nos trabalhos dos políticos, só é benéfica para aqueles que tem algo a esconder. Com isso, podemos concluir que o voto secreto é um mal que deve ser extirpado do processo legislativo.
O problema é que para ocorrer essa mudança, a matéria em questão, deverá ser votada por aqueles que se beneficiam da sua existência, ficando claro dessa maneira, que isso dificilmente irá ocorrer. Votando secretamente, o deputado oculta seu posicionamento, ficando livre de cobranças e acompanhamento de sua conduta. Tenho certeza de que a maioria daqueles que votaram contrário aos processos de cassação, não teria o mesmo procedimento se a votação fosse aberta, salvo os descarados e caras-de-pau, cujo despudoramento pode ser evidenciado inclusive em seus bailados .
Até ontem eu acreditava que a impunidade dos corruptos, fosse um mal que revoltasse a maioria das pessoas, mas quando escrevia esse texto sobre o voto secreto e seus malefícios, meu pensamento também se reportava acerca da perda de referenciais pelo cidadão sobre o certo e o errado e das conseqüências desastrosas que teríamos caso a população perdesse a capacidade de se indignar com a corrupção. Ao me deparar com o resultado de uma pesquisa do Ibope, cujo estudo mostra que o brasileiro tolera a corrupção política porque também comete seus deslizes éticos e que estão acostumados a cometer deslizes morais diariamente e como os políticos são egressos da população, chegamos a um dilema: o político é corrupto e comete deslizes porque a maioria do povo é assim, ou o povo aceita e comete deslizes morais porque seus representantes também o fazem?
Independentemente da origem do problema, o que fica é a existência de uma aparente predisposição que as pessoas possuem de praticar, ou ser coniventes com atos de corrupção. O quadro seria desanimador se nos esquecêssemos de levar em conta o período de transição em que vivemos. Há pouco tempo atrás a corrupção existia e a população nem ficava sabendo, pois não existia liberdade da imprensa para investigar e noticiar os fatos, sendo que aqueles que por ventura se atrevessem a contrariar, simplesmente desapareciam. Hoje recebemos informações diariamente sobre escândalos diversos e o cidadão pode formar a sua opinião.
Dentro dessa análise evolutiva, vejo que o próximo avanço será a escolha pela população de lideranças políticas com perfil diferente e que dêem exemplo para que as novas gerações não aceitem com tanta naturalidade atos de corrupção. Quanto mais breve se eliminar o voto secreto, mais cedo alcançaremos esse estágio, pois será mais fácil banir da vida pública aqueles políticos que possuem impregnada no cerne de sua personalidade, essa característica perniciosa. (Publicado em 13/04/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h26
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A DANÇA DOS DESAVERGONHADOS
A deputada Ângela Guadagnin dançou no plenário da Câmara dos Deputados protagonizando uma coreografia comemorando a vitória da pouca vergonha sobre a probidade. O ministro Antonio Palocci também dançou, só que no sentido figurado, pois tentou desmoralizar o caseiro que testemunhou suas reuniões na casa onde aconteciam encontros festivos com garotas de programa e distribuição de dinheiro ilícito.
No primeiro caso ficou escancarado o descaso para com a opinião pública, o descaramento, a certeza da impunidade, o desprezo com o cidadão. A alegria irritante estampada no seu rosto, enquanto dançava, nos mostra com exatidão, o afloramento e a exteriorização dos instintos mais profundos de total conivência com a falta de vergonha.
O que causou tanta alegria na deputada petista, foi o fato de que o deputado João Magno também do PT, foi absolvido pelo plenário da câmara, apesar de ter recebido comprovadamente quatrocentos mil reais de origem ilegal das contas de Marcos Valério.
Qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso, não veria motivo algum para comemorar tal acontecimento. Então, como pode uma deputada, que em tese, deveria defender o interesse e o bem estar do cidadão, comemorar de forma tão marcante essa vergonhosa decisão da câmara dos deputados.
A cada dia o povo brasileiro é testado na sua paciência, a impressão que se tem, é que querem ver o limite, até quando vamos suportar os absurdos da impunidade, da roubalheira e do cinismo. A alta carga tributária a que o povo é exposto, cujos impostos não são revertidos em benefício da população e que boa parte é desviada para alimentar a corrupção, fazendo chegar às mãos de deputados quantias vultuosas, que para qualquer brasileiro representa uma fortuna.
Podemos ver pela televisão a absolvição de um deputado corrupto, com dança e tudo. O ato de dançar nas circunstâncias e no local em que ocorreu, tem um simbolismo que agride a moral, onde os vencedores tripudiam sobre os vencidos que no caso vertente é o povo brasileiro. A fama de povo ordeiro, pacífico, amante do Carnaval e do futebol, aliado a certa dose de comodismo, nos custa muito caro, pois contribui de forma significativa para o descaramento de grande parte dos políticos que nada têm a temer, nem mesmo o poder de punição das urnas é temido, pois boa parte deles, se utiliza da compra de votos, além da memória curta do eleitorado. Vários são os casos de parlamentares que renunciaram para posteriormente se candidatarem novamente e foram reeleitos, como por exemplo o caso de ACM e do então senador Arruda.
O descrédito das instituições democráticas é notório e causado pelo mau comportamento de seus componentes, que afrontam todos os princípios da lisura e da honradez. A perda dos parâmetros da moralidade é nefasta e fica evidenciada na postura da deputada dançarina e no ministro que tentou difamar o caseiro, para desmoralizar suas denúncias.
Aliás, era até agora, no ministro Palocci e na estabilidade econômica, que se respaldava e ainda se sustentava o Presidente da República que nunca sabe de nada, só abre a boca para falar besteira e seria muito bom se ele dançasse também. (Publicado em 30/03/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h24
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O STF E OS CRIMES HEDIONDOS
Segundo o dicionário, crime significa violação de lei penal, já o termo hediondo, significa sórdido, repulsivo, pavoroso e medonho. Portanto, um crime hediondo é aquele que causa repulsa, indignação e revolta. Estão elencados nesse grupo o estupro, atentado violento ao pudor, seqüestro, latrocínio e tráfico de drogas. Quando foi criada a lei específica para os crimes hediondos, com penas mais severas, a intenção dos legisladores era não somente de punir com mais rigor seus autores, mas também desestimular tal prática, com conseqüente diminuição da ocorrência de tais crimes.
Ocorre que além de entrar em vigor é necessário que os condenados cumpram suas penas integralmente e que a lei surta seus efeitos plenamente não sendo alterada ao longo da sua vigência por decisões que alterem seus efeitos. A recente decisão do STF impede que muitos condenados por crimes hediondos cumpram integralmente suas penas, provocando na população uma sensação de insegurança, impunidade e indignação, além de dar a todos e inclusive aos criminosos a idéia de que nenhuma punição é definitiva.
Tudo começou porque um pastor evangélico, pedófilo, foi condenado por cometer atentado violento ao pudor contra três crianças e se sentindo injustiçado pela condenação entrou com recurso e ganhou. Teve a cara-de-pau de declarar isso ao dar entrevista para a televisão todo sorridente. Um indivíduo dessa estirpe, sórdido e nojento, que não teve compaixão de suas vítimas, apesar de sua formação religiosa, não merecia benefício algum. Não interessa o seu bom comportamento na prisão, o que importa para a sociedade foi o seu péssimo e criminoso comportamento aqui fora. Aliás, o bom comportamento na prisão não deveria ser premiado, o mau comportamento sim é que deve aumentar a pena . Talvez o bandido em questão só não molestou mais crianças, porque não existiam crianças na prisão.
Agora ficou para os juízes, a incumbência de analisar cada caso em particular, aumentando ainda mais a carga de trabalho dos magistrados que como é sabido, estão sobrecarregados pela grande quantidade de processos existentes. Isso sem contar que ficarão alvo de ameaças dos criminosos quando da avaliação dos pedidos, pois seqüestradores e traficantes são especialistas em fazer ameaças e até matar juízes.
A necessidade de penas severas, não se trata de desejo de vingança, mas sim que os criminosos sejam realmente punidos, vingança seria, se fosse feito com eles o mesmo que fizeram com suas vítimas. O rigor da pena prevista contribui para desestimular a prática de crimes, em contrapartida, o abrandamento de penas e privilégios a criminosos, além de colocar em convívio com a sociedade bandidos perigosos ainda contribuem para a certeza da impunidade. Vivemos em uma época de intranqüilidade e insegurança, pois o poder público se mostra cada vez mais incompetente em garantir a segurança da população.
Criminosos dominam bairros e cidades, estabelecendo um estado paralelo. Os índices de criminalidade aumentam assustadoramente e justamente no momento em que a população clama por mais rigor nas punições, sendo que inclusive vemos o exército nas ruas, o STF com sua decisão, de forma inoportuna, irresponsável e inconseqüente abre esse precedente legal.
A sociedade deve se mobilizar contra esse tipo de coisa que afronta o bom senso e compromete a liberdade das pessoas de bem. Com essa decisão, vemos reforçada a necessidade de mudança na forma de escolher os ministros do STF, que por enquanto e infelizmente é por escolha do Presidente da República. (Publicado em 16/03/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h21
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RESERVA DE VAGAS NAS UNIVERSIDADES
Está em tramitação na Câmara dos deputados projeto de lei da deputada Nice Lobão, que destina 50% das vagas em universidades públicas federais para alunos egressos de escolas públicas. O motivo da elaboração do referido projeto é a pequena quantidade de alunos oriundos de escolas públicas, que conseguem através do vestibular ingressar em universidades federais.
Portanto, é notória a falta de preparo desses alunos. As escolas públicas não conseguem dar a devida formação, em virtude de programas governamentais que obrigam os professores a aprovar os alunos, independentemente do seu aprendizado. O que temos como conseqüência são jovens mal preparados e com muita dificuldade em disputar uma vaga na universidade. Dessa maneira não é possível que esses alunos consigam competir com outros em cujas escolas são submetidos a rigoroso processo de aprendizado e avaliações. A reserva de vagas, seria então uma garantia de que alunos da escola pública possam chegar à faculdade mais facilmente.
É interessante que a maioria dos professores das escolas particulares são também professores da rede pública, demonstrando que possuem condições de dar um bom ensino, basta que lhes dêem condições de desenvolver seu trabalho e também que os alunos estejam realmente interessados em aprender.
A deficiência não está na capacidade de ensinar dos professores, mas sim no conteúdo programático e nas diretrizes da escola pública. Então, o referido projeto reconhece a culpa do poder público na má-qualidade de ensino e tenta corrigir cometendo um erro maior ainda, facilitando o ingresso de alunos mal preparados nas universidades, que terão muita dificuldade em acompanhar o nível do ensino além de muitos problemas para concluir o curso. O pior é que muitos alunos de outras escolas, que conseguiram notas superiores, serão preteridos do direito a vaga, configurando uma injustiça sem precedentes.
Isso sem contar que a qualidade daquele profissional que conseguiu a vaga através das cotas será duvidosa, e cuja qualidade de trabalho só Deus sabe no que vai dar. No futuro não se assustem se surgir outro projeto que diminua o grau de dificuldade nas universidades, ou que sejam criadas faculdades especiais para alunos com conhecimento e preparo abaixo da média.
Digo isso, porque recentemente foi retirada a exigência do conhecimento da língua inglesa para os diplomatas brasileiros. Como podem ver estamos regredindo culturalmente.
Ao longo do tempo, todas as vezes que se fez algum tipo de reserva para proteger e privilegiar algum segmento, estimulou-se o comodismo, a preguiça mental, pois não há concorrência. A concorrência estimula o aperfeiçoamento, a melhor capacitação com conseqüente aprimoramento.
A reserva de vagas desestimula o esforço, pois o aluno saberá que terá privilégios quando da disputa por uma vaga. Por outro lado, a revolta e a sensação de injustiça causada naquele jovem que foi prejudicado é irreparável. Os responsáveis pela educação no país deveriam melhorar a qualidade do ensino público e não se utilizar desses artifícios para facilitar a entrada dos alunos nas universidades.
No país das injustiças e da impunidade, a reserva de vagas é uma apologia ao menor esforço e um desestímulo que irá gerar além de profissionais de capacidade duvidosa, uma legião de descontentes e injustiçados. Alunos oriundos de outras escolas não podem ser prejudicados porque o poder público é incapaz de dar boa formação aos alunos da escola pública. (Publicado em 02/03/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h15
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INDEPENDÊNCIA E HARMONIA ENTRE OS PODERES - 2
Recentemente em um artigo, fiz considerações sobre a promiscuidade existente entre os poderes Legislativo e Executivo, onde a representatividade e a liberdade são vendidas, recebendo como retribuição favores e benefícios pessoais.
Na ocasião me limitei a tecer comentários acerca do revoltante comprometimento da democracia onde o posicionamento de políticos, quer seja no voto, ou troca de partidos é ditado por quantias em dinheiro, portanto, a representatividade é negociada e tem preço. Esse comportamento tem nome e seu nome é corrupção. Esse mal, se não for combatido, coloca em descrédito todas as instituições, levando a uma situação de crise de valores morais.
Atos de corrupção entre os poderes Legislativo e Executivo amplamente divulgados devem ser investigados, julgados e punidos de forma exemplar. Nesse momento espera-se que o outro poder, o Judiciário, participe com a devida isenção e fazendo cumprir a lei. Para a conclusão do processo de apuração e finalmente punição dos culpados é imprescindível a imparcialidade e total isenção inclusive política do poder Judiciário.
Mais recentemente, o presidente do STF, Nelson Jobim, com claro interesse político, no exercício de suas atribuições, atrapalhou os trabalhos investigativos ao bloquear a quebra de sigilo bancário de elementos envolvidos em processo de corrupção e que inclusive, dependendo do resultado, iriam comprometer a pessoa do presidente da República.
Vários aspectos precisam ser analisados nessa situação, na qual o presidente da mais alta corte impede investigação e beneficia esquemas de corrupção que envolve os poderes Legislativo e Executivo. Não é essa harmonia criminosa que se espera dos três poderes.
O erro tem início inclusive na forma de preenchimento das vagas do Supremo Tribunal Federal, onde os componentes são escolhidos pelo presidente da República. Deveria ser de forma diferente: por exemplo, que os ocupantes das cadeiras fossem pessoas com comprovada experiência e competência, passando por rigoroso processo de seleção e inclusive que na sua vida pregressa não tenham envolvimento ou ocupado cargo político eletivo. Na forma atual de escolha, a competência não é levada em conta, prevalecem critérios subjetivos como amizade, favores, acordos, interesses políticos e coisas do gênero, que não asseguram que quem ocupe a vaga de ministro do STF seja o mais competente.
O comportamento parcial do presidente do STF abala a imagem da instituição, comprometendo sua credibilidade, pois coloca em dúvida a confiabilidade de decisões tomadas e que em alguns casos não refletem a real aplicação dos preceitos legais.
Em certos momentos sinto que a pouca vergonha está instalada em nosso país, contribuindo de forma maléfica na constituição dos valores morais e éticos do cidadão. O resultado das últimas pesquisas para presidente da República demonstra claramente que boa parte da população aceita a idéia da corrupção com certa naturalidade.
Não se pode deixar que acontecimentos desse tipo possam fixar ainda mais a idéia de que isso não tem jeito. O cidadão não pode aceitar como normal os desvios de comportamento, sob pena de comprometer a formação do caráter pela perda de parâmetros do que é certo ou errado. (Publicado em 16/02/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h14
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APOSENTADOS DO INSS
Os aposentados e pensionistas do INSS nunca foram tão lembrados e "prestigiados". Depois que surgiu o tal de financiamento consignado, onde as pessoas podem fazer empréstimos, cujo pagamento das parcelas será vinculado ao recebimento mensal de suas remunerações, a categoria se transformou no alvo preferido das instituições financeiras, muitas das quais, jamais se ouviu falar. Oferecem os tais empréstimos pela televisão utilizando-se de artistas famosos e ricos para atrair a atenção e o interesse dos aposentados. O rádio, jornal, distribuição de panfletos e até carros de som, são utilizados para divulgação em ruas e avenidas. O assédio chega a ser irritante.
Os bancos divulgam ano a ano lucros cada vez maiores e com números astronômicos. Via de regra, lucro de banco significa prejuízo do povo que se submeteu a empréstimos, cheque especial e taxas. É a agiotagem oficializada e estimulada pelas autoridades para espoliar o cidadão. O empréstimo aos aposentados aumentou ainda mais o ganho das instituições financeiras, que foram mais uma vez beneficiadas por medidas governamentais que se preocupam mais com os especuladores financeiros do que com o setor produtivo.
Em sua maioria, os aposentados recebem o suficiente para pagarem os medicamentos que utilizam, não sobrando nada ou muito pouco. A proposta de empréstimo é tentadora, pois aparece como solução para as pessoas que vivem em dificuldade, porém acabam se endividando ainda mais, inclusive porque não se preocupam em analisar as taxas de juros cobradas e outras tarifas. Não bastasse tudo isso, ainda se tornaram vítimas de parentes, tais como filhos e netos que pedem para retirar empréstimo para eles em seu nome devido a pouca exigência de documentos.
Durante a fase em que estavam na ativa, muitas das pessoas que hoje estão aposentadas pagaram proporcionalmente a um número de salários superior ao que recebem agora. Portanto, muitas dessas pessoas que fizeram empréstimos talvez não precisassem, se o valor de suas remunerações fosse proporcional ao que contribuíram quando estavam na ativa.
A medida adotada, de facilitar os empréstimos aos aposentados, aparentemente é um benefício, porém na realidade os coloca à mercê de agiotas institucionalizados, o que é uma total falta de respeito. A categoria que realmente foi beneficiada é a dos banqueiros que podem oferecer empréstimo com total garantia de recebimento, ou seja, inadimplência zero.
Seria muito bom se outros segmentos empresariais também fossem beneficiados por medidas que garantissem pelo menos a comercialização de seus produtos, com um ganho por menor que fosse, mas o suficiente para evitar a quebradeira geral, como acontece, por exemplo, com os agricultores, que além de sofrerem com a imprevisibilidade do tempo, estão sujeitos à instabilidade do comércio de seus produtos sem qualquer política de amparo, onde o custo de produção é maior que o valor do produto.
O endividamento do cidadão, das empresas e dos produtores, só faz aumentar o lucro dos bancos com reflexo direto na qualidade de vida da população. É responsabilidade das autoridades governamentais a garantia do bem-estar social, através da adoção de medidas que visem o beneficio igual e proporcional a todos os segmentos e não o crescimento vertiginoso de uma minoria em detrimento do restante. (Publicado em 02/02/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h09
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GOVERNANTES IRRESPONSÁVEIS
Um político pode ser mau governante por incompetência, ou porque é mal intencionado. Muitos dos nossos governantes concentram em si todas essas características, ou seja, além de despreparados não têm boas intenções. O presidente da República é um exemplo desse perfil, assim como muitos prefeitos e governadores.
Contrariando o interesse público, de forma irresponsável, deixam de reparar estradas, duplicar avenidas, consertar pontes, colocar proteções em ribanceiras, margem de córregos etc. Desconsideram o risco a que a população vai ficar exposta, concentrando a efetivação, ou pelo menos o início das obras nas proximidades das eleições. Contam inclusive, com a infelizmente verdadeira, memória curta dos eleitores.
O descaso com o contribuinte é flagrante, pois é obrigado a pagar por um beneficio várias vezes, através de impostos e taxas, no país que possui uma das maiores cargas tributárias do mundo, cuja população não tem o retorno devido.
É interessante que a falta de verbas em determinadas épocas, justificativa utilizada para a não execução de obras, contrasta com a abertura dos cofres em anos eleitorais.
É sabido que as estradas estão deterioradas, inclusive aquelas que cobram pedágio possuem trechos horríveis. A operação tapa-buracos, deflagrada às pressas, sem qualquer planejamento pelo governo federal, foi anunciada em função da vontade repentina que acometeu o presidente da República, quando este viajou para Minas Gerais e passou por uma estrada em mau estado de conservação.
No mesmo dia deu ordens para a execução das obras, estipulando inclusive prazo para terminar. A falta de programação e início imediato das obras, dispensando licitações, determinam que o trabalho não será executado pelo melhor preço e qualidade, mas sim pelo melhor financiador de campanha.
A durabilidade dos reparos será muito curta, pois a época escolhida para a execução (período das chuvas), não é a ideal segundo observação feita por especialistas. Porém, o que importa para o governante é que seja feito em ano eleitoral e as especificações técnicas que se danem juntamente com o povo. Se daqui a seis meses, o trabalho e o dinheiro gasto for perdido, não importa, pois a eleição já se passou.
Os caprichos eleitoreiros dos maus governantes custam a vida de muitas pessoas e também o dinheiro dos impostos pagos pela população. Se considerarmos os valores gastos com propaganda, observaremos que estão bem acima dos valores necessários para a execução das obras. O povo, por ter um governante despreparado e irresponsável, paga caro por um serviço sem qualidade que deverá ser refeito em pouco tempo.
O comportamento em questão é reprovável e inadmissível sendo que no caso da operação tapa-buracos, entendo que os reparos deveriam ter sido feitos há muito tempo, bastava por exemplo, que se tivesse economizado com gastos em propaganda.
Considero o presidente da República responsável pelas centenas de mortes ocorridas em acidentes nas estradas que somente agora estão sendo reparadas. Assim como são responsáveis pelos acidentes ocorridos todos os governantes que se utilizam da prática de deixar para anos eleitorais a efetivação de obras de extrema necessidade.
A única maneira de impedirmos que esse tipo de coisa aconteça é banir da vida púbica os políticos que se utilizam desse expediente para enganar o povo e ganhar eleições. Assim sendo, cabe a nós a missão de mandar de volta para casa os maus governantes para que eles administrem como bem entenderem os seus patrimônios pessoais e não o nosso. (Publicado em 19/01/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h08
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VAMOS ACABAR COM O INDULTO
Indulto, liberdade temporária, seja qual for o nome dado à modalidade de soltura de detentos nos períodos próximos a datas especiais, sou totalmente contrário.
Os condenados pela justiça, como o próprio termo já diz, são pessoas que praticaram algum delito e que já se esgotaram todos os procedimentos legais de apuração, inclusive com direito a ampla defesa. Portanto, se foi condenado, não deveria ser colocado em liberdade de vez em quando. Deve cumprir a pena integralmente, sem regalias, pois está em débito com a sociedade.
Por ocasião de datas festivas, a população fica amedrontada, pois se sabe que serão colocados em liberdade milhares de presos e que muitos deles irão cometer crimes, além daqueles que não retornarão aos presídios. A imprensa divulga invariavelmente que os índices de criminalidade nessas ocasiões aumentam consideravelmente. Muitos dos beneficiados pela liberdade temporária são presos praticando os mais variados tipos de crimes.
A intenção pode ser boa, porém na prática é falho e o que se tem é um grande prejuízo para a sociedade, pois será vítima de uma série de crimes praticados por indivíduos que deveriam estar presos. Portanto a liberdade temporária deles restringe a nossa. Estatísticas demonstram que o percentual de detentos que não retornam aos presídios é pequeno. Ocorre que não é só o não retorno de parte deles que é prejudicial, muitos se utilizam dessa liberdade para fazer acertos de contas com rivais, praticar crimes e depois se abrigam nos presídios.
Outro aspecto a se considerar é que nenhum dado estatístico pode justificar a morte de um pai de família, que poderia ter passado o Natal e o ano-novo com seus filhos e sua esposa, caso criminosos não tivessem sido soltos. Recentemente um araçatubense foi morto por um indivíduo beneficiado pela liberdade temporária. Ao longo dos anos, vejo que muita gente reclama, mas nada muda e no próximo feriado acontece tudo de novo. Entendo que só reclamar não adianta, devemos, os que pensam como eu, agir de forma produtiva. O benefício em questão é dado por membros do Poder Judiciário, baseados em normas legais. Os juízes não elaboram leis, apenas fazem com que sejam cumpridas. Então se somos contrários, devemos questionar os legisladores (deputados e senadores), pois somente eles poderão mudar as leis. Via de regra nossos representantes que compõem o Poder Legislativo não mudam a legislação em vigor por se tratar de assunto polêmico e não gostam de adotar medidas que sejam antipáticas a alguns segmentos. No próximo ano teremos eleições e muitos candidatos irão nos abordar. Nesse momento devemos indagar o que eles pensam do indulto e qual o procedimento deles a esse respeito. Se o candidato titubear ou fizer uma resposta longa, com argumentos evasivos procurando agradar a todo mundo, não confie nele, esse não serve, não tem postura firme, é mais um inútil, não precisamos de políticos que tenham medo de tomar decisões, esses indivíduos não servem para nada. Respeito os que têm posição definida, mesmo que seja oposta à minha. Tenho aversão àqueles com conversa mole.
Há pouco tempo tivemos um referendo com relação à venda de armas no país, com a alegação de que estavam preocupados com a segurança. Se fizermos um referendo sobre o assunto em questão, acredito que a maioria da população seria contrária. Portanto, vamos contribuir para as mudanças, pelo menos aqueles que as desejam, vamos cobrar dos políticos com poder de decisão, para que façam em nosso nome as mudanças necessárias. (Publicado em 05/01/2006)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h06
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FEBRE AFTOSA E O PREÇO DA CARNE
O agronegócio, responsável por 37% dos empregos e 42% das exportações, tem como um dos principais segmentos, a pecuária. Os últimos acontecimentos envolvendo febre aftosa, exportações e preço, aliada à denúncia de formação de cartel por parte dos frigoríficos, trazem à tona um problema que existe há muito tempo e que deve ser discutido.
No Brasil é comum se observar que a oscilação do preço da carne pago ao produtor, não se reflete no preço ao consumidor, quando este diminui, ou seja, o preço da arroba diminui mas no varejo continua o mesmo, sendo que o preço ao consumidor só recebe o reflexo de aumentos.
Antes da ocorrência dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, a pecuária de corte já vivia uma das suas piores crises, paradoxalmente à conquista pelo Brasil do posto de maior exportador de carne do mundo.
O país chegou ao estágio de maior exportador, enquanto os pecuaristas nunca foram tão mal remunerados, sendo que todos os ganhos ficam com os frigoríficos, que não repassam os benefícios para os produtores.
Além disso, as exigências ao produtor aumentaram, tais como rastreabilidade, insumos mais caros (vacinas, vermífugos, sal mineral, adubos, óleo diesel etc.), aumentando desta forma o custo de produção.
Em qualquer atividade o aumento do custo de produção, paralelo a uma diminuição do preço do produto, leva a um desestímulo e até a sua inviabilidade.
Estabeleceu-se uma relação unilateral onde somente uma das partes, no caso os frigoríficos, estavam ganhando. A situação piorou com a ocorrência dos focos de aftosa, baixando ainda mais o preço pago ao produtor, sem que tal diminuição se refletisse no varejo. Temos dessa forma o seguinte quadro: frigoríficos formando cartel, ditando o preço ao produtor e o consumidor pagando preços altos. Se o preço ao consumidor também fosse baixo aumentaria o consumo, pois a população teria acesso a carne mais barata o que aqueceria o setor no mercado interno.
O governo federal deve agir no sentido de apurar e punir abusos como formação de cartel, pois tal prática é altamente prejudicial ao setor produtivo, aos consumidores e ao país. As autoridades não podem se limitar a colocar a culpa nos criadores por causa da febre aftosa, se esquecendo da sua responsabilidade, pois não investiu na defesa sanitária como deveria.
Tal investimento poderia ter evitado mais este problema para um setor tão importante e responsável por grande parcela da balança comercial. A contribuição da pecuária e sua importância para o país é indiscutível, porém não lhe é dado o reconhecimento devido, nem pelo governo e tampouco pelos frigoríficos que estão dando um tiro no pé. A continuação da presente situação é um desestímulo para a atividade que poderá trazer grandes prejuízos para o país.
No Mato Grosso do Sul, estado que detém maior rebanho do país, a chegada da cana de açúcar é uma realidade e sua ampliação é visível, sendo que o governador daquele estado está tentando viabilizar a instalação de usinas de álcool no Pantanal.
As conseqüências poderão ser irreparáveis para o meio ambiente, mas inegavelmente é o reflexo do desestímulo da pecuária, pois aquela região é tradicional na atividade. O avanço do setor sucroalcooleiro é importante, pois gera divisas para o país e uma grande quantidade de empregos, porém deve haver um equilíbrio onde as várias atividades do agronegócio possam coexistir, pois a história nos mostra que a monocultura sempre foi arriscada, com conseqüências imprevisíveis. (Publicado em 22/12/2005)
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Escrito por Arlindo Araújo às 13h05
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INDEPENDÊNCIA E HARMONIA ENTRE OS PODERES
A Constituição Federal preceitua que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário sejam independentes, porém harmônicos entre si. Nota-se que o legislador, ao elaborar esta norma, teve como intenção enfatizar que a atividade dos três Poderes deve ser harmônica, trabalhando em sintonia, em conjunto, no sentido de obter o bem-estar comum.
Reportando-nos mais especificamente aos Poderes Legislativo e Executivo, quer seja na esfera municipal, estadual ou federal, vemos que a grande maioria dos políticos faz, ao que tudo indica, uma interpretação deturpada (por conveniência) da referida norma constitucional, assumindo uma conduta que fere frontalmente tal orientação, pois ao se "harmonizarem" fazem-no visando aos seus interesses políticos e pessoais e às suas vaidades, desviando-se do eixo da ética e da moral.
Enfatizam que existe harmonia para justificar a promiscuidade ali instalada quando negociam votações e posicionamentos em troca de cargos de confiança e, até quem diria, do recebimento de pagamento mensal ("mensalão"), ficando desta forma atrelados ao Executivo e perdendo a independência tão necessária para o exercício da atividade parlamentar.
É interessante que ocupantes de cargos eletivos oriundos de processo democrático negociem a representatividade que lhes foi conferida pelo voto em troca de benefícios pessoais e eleitoreiros.
O chefe do Executivo, ao cooptar os membros do Legislativo através da distribuição de cargos de confiança, e até com dinheiro, burla a democracia e despreza os que se vendem.
Já os ocupantes do Poder Legislativo que participam deste processo traem o eleitorado, na medida em que deixam de ser um representante do povo e tornam-se, de forma nefasta, um representante de seus próprios interesses, contribuindo para que o chefe do Executivo faça o que bem entender, como se fosse um imperador.
É comum ouvirmos que tal comportamento é normal, justificado pelo fato que ocorre em todas as esferas de governo, até mesmo nas nações mais desenvolvidas, e que sempre foi assim. Se a maioria procede deste modo, por que não fazer o mesmo? Esta justificativa indecente é a oficialização do desvio de comportamento e uma acomodação frente a uma situação condenável.
O que se espera, no mínimo, são atitudes que contribuam para a evolução e a melhoria do nível da política no país, e não a aceitação pura e simples dessas práticas, e às vezes, o que é pior, a adesão a este descaramento.
A frase "quem elege ajuda a governar", usada constantemente para justificar a ingerência do Poder Legislativo em nomeações que são prerrogativas do Executivo, é reprovável e ridícula, pois cada qual foi eleito para funções definidas e distintas, não havendo sequer áreas de coincidência.
Os recentes episódios envolvendo o Executivo Federal e a Câmara dos Deputados ilustram bem o presente raciocínio: evidenciando-se de forma clara que o Executivo Federal, para obter maioria no Poder Legislativo, utilizou-se de manobras escusas, por incrível que pareça o Presidente da República, subestimando a capacidade de discernimento dos cidadãos, alega desconhecê-las, e que talvez tenha creditado a migração em massa de deputados para a base aliada somente por ideal.
O mau comportamento da maioria dos políticos, aliado à impunidade, gera um descrédito por parte da população com relação à classe política, desestimulando pessoas bem intencionadas a participarem da vida pública. Desta forma, grande parte dos candidatos não tem compromisso com a boa gestão da coisa pública; vislumbrando, inclusive, a possibilidade de se beneficiarem com o mau uso do poder.
Em recente pronunciamento, o presidente da República disse que boa parte dos políticos é medíocre, só pensando neles mesmos e na reeleição. Não se preocupam nunca com o país. Não há que se discordar de tal colocação, pois é uma constatação que confirma o nosso pensamento. Considero, inclusive, que o autor da frase faz parte desse grupo. (Publicado em 08/12/2005)
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Escrito por Arlindo Araújo às 11h23
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