Opinião
AS MÚMIAS E A IMPUNIDADE
Arlindo Araujo
arlindo-araujo@uol.com.br
Não tenho dúvida de que a impunidade é o grande mal que assola o nosso país. A corrupção é terrível, mas a certeza da não punição é pior, pois cria a cultura da impunidade. Uma legislação mais rigorosa, sem lacunas e sem privilégios, seria a solução, porém, aqueles que deveriam promover as mudanças nas leis, não o farão.
Digo isso porque a classe política brasileira está infestada de criminosos. 38% dos nossos senadores e 36% dos deputados federais são réus, ou já foram condenados, em processos de improbidade administrativa, desvio de dinheiro público, compras de votos e etc.
Os escândalos se sucedem e ninguém é punido. Vemos políticos participando de delitos como membros do mensalão, compradores e autores de dossiês dos mais variados tipos, associação com bicheiros, traficantes, participando e ou chefiando quadrilhas.
Todos os dias são assunto na imprensa. A CPI dos cartões corporativos encerrou seus trabalhos sem qualquer punição aos envolvidos. Foi composta principalmente por políticos com estreita ligação com o governo e que, já se sabia, não tomariam qualquer atitude que viesse macular a imagem do presidente da República e de seus aliados.
É claro que como em sua composição o Poder Legislativo conta com uma grande quantidade de criminosos, estes jamais irão promover qualquer mudança nas leis do país que possam vir a prejudicá-los, ou a seus descendentes. Desconheço alguma estatística neste sentido, mas gostaria de saber quantos de nossos políticos em atividade não são netos, filhos, esposas e irmãos de alguns nomes que já passaram ou ainda estão na política?
Existem verdadeiros donos de cidades, regiões e até estados da Federação. O poder é conferido pelo voto da população, mas algumas famílias conseguem se perpetuar como dinastias, lembrando a época dos imperadores ou faraós. Temos verdadeiras múmias governando milhares de pessoas tendo, a seu lado, um ou mais descendentes já sendo preparados para assumir o poder quando o mais velho for para o sarcófago.
Vivemos ainda os primórdios de uma democracia verdadeira, onde o eleitor acredita ter liberdade para escolher. Porém, o que acontece na maioria das vezes é que, dentre as alternativas, poucos indivíduos ou quase nenhum está realmente comprometido com o bem-estar dos vassalos.
A grande maioria está atolada até o pescoço nos esquemas idealizados, mantidos e executados por membros da dinastia detentora do poder – ou de criados que lhes fazem a vez e que são súditos eternos com a missão de defender os interesses daqueles que apenas lhe deram condições para chegar ao poder, mas que devem seguir suas ordens.
No nosso país as leis são feitas por meliantes e condenados pertencentes a famílias que ocupam o poder ha décadas e que não possuem qualquer interesse em perder o foro privilegiado e a mamata de trabalhar somente três dias por semana.
É triste, mas é a realidade. Mudanças? Somente nas eleições, caso aqueles que pensam diferente queiram e consigam uma legenda para disputar um processo eleitoral, cujas regras foram feitas para dificultar a participação e a eleição daqueles que não fazem parte dos esquemas. (Publicado no jornal O Liberal Regional em 11/06/08)
* Arlindo Araujo é médico veterinário e vereador em Araçatuba pelo PPS.

Escrito por Arlindo Araújo às 13h27



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