Opinião
CÃES ASSASSINOS?
* Arlindo Araujo
arlindo-araujo@uol.com.br
Todos os dias acontecem acidentes com cães. São mordidas, arranhões e tombos. A gravidade da lesão está na dependência da raça do cão agressor e do tamanho da vítima. As raças de grande porte são as responsáveis pelos mais graves, sendo que às vezes a pessoa agredida acaba morrendo.
Não podemos nos esquecer que mordida de cães pequenos em uma criança também poderá ser muito grave. Faço esse preâmbulo porque há uma tendência de se criticar essa ou aquela raça em função do maior número de ocorrências no momento com os pit bulls.
Há vinte anos, foram os dobermanns, depois os filas, rotweilers e agora o pit bull, que por estar na moda existe em maior número. Dentro em breve poderá ser o dogo argentino, o cani corso ou o bull terrier. Quem vai determinar será a preferência popular. O escolhido será multiplicado com facilidade, pois o período de gestação de uma cadela é de 60 dias. Em breve estará nas páginas dos jornais protagonizando os mais variados tipos de acidentes.
Se descontarmos aqueles que nascem com distúrbio de comportamento, demonstrando sua agressividade e destempero logo nos primeiros meses de vida e de fácil identificação, o restante irá se moldar aos ensinamentos, maneira e local onde forem criados.
Os cães não raciocinam, agem por instinto e condicionamento. Algumas raças possuem vigor físico muito grande e uma genética que lhes propicia o desenvolvimento da agressividade, desde que sejam treinados para tal. Dentro desse processo de aprendizado é submetido a situações em que são simulados momentos de agressão. Esse animal, posteriormente, no seu convívio social e familiar, quando se deparar com uma situação que se assemelhe àquela do treinamento, ele irá atacar.
Portanto, um amigo que ao cumprimentar o outro o faça de forma muito entusiástica, falando alto, levantando os braços bruscamente ou abraçando é uma vitima em potencial.
Em muitos casos os animais são criados para a guarda de residências e estabelecimentos comerciais. Os proprietários dispensam pouca atenção e espaço adequado para o animal, que nessas circunstâncias vive em permanente situação de estresse, potencializando dessa forma sua agressividade.
Outra situação muito comum que podemos observar nos finais de semana são crianças, idosos e mulheres, que não têm condições físicas de controlar o seu cão, sendo arrastados pelas ruas e avenidas, colocando em risco o restante da população. Muitas vezes, esses animais, ao agredirem outros nas mesmas condições, agridem também seus proprietários.
Pelo exposto fica bastante claro que não será criando leis eliminando essa ou aquela raça que se resolverá o problema, pois a essência está nos proprietários que não têm noção do que está criando e tampouco avalia os riscos de se criar um animal por modismo ou necessidade, sem lhe dar condições de espaço e lazer adequados.
Ao se efetuar o adestramento de um cão, deve-se deixar bem claro quais são as suas necessidades, quer seja de uma simples obediência ou treinamento para ataque. Muitos animais adestrados só respeitam e obedecem ao adestrador, sendo que o proprietário sequer sabe os comandos. Dessa forma quem cria as situações de risco são na maioria das vezes os proprietários dos cães, que acreditam que acidentes só acontecem com os outros.
Deixar crianças sozinhas na companhia de um cão, por mais dócil que seja, não é aconselhável, pois ao brincar com ele, uma criança pode criar uma situação de desconforto para o animal, que por sua vez irá responder com uma agressão. A posse responsável e o conhecimento das particularidades de cada raça são fundamentais para uma convivência saudável do cão com a família e para uma vida mais tranqüila em sociedade. (Publicado no jornal O Liberal Regional em 18/06/08)
* Arlindo Araujo é médico veterinário e vereador pelo PPS em Araçatuba

Escrito por Arlindo Araújo às 16h10



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